CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Credores do Grupo Fictor ainda não sabem quando ou se irão recuperar investimentos

Grupo em recuperação judicial deve mais de R$ 4 bilhões e tem investidores que aplicaram até R$ 31 milhões; incerteza marca processo
fictor
Sede da Fictor, em São Paulo - Reprodução

Credores do Grupo Fictor ainda não sabem quanto, como ou quando poderão recuperar os valores investidos após o pedido de recuperação judicial das empresas do grupo. Há investidores que aplicaram mais de R$ 30 milhões e aguardam os próximos passos do processo na Justiça.

Segundo relatório obtido pela reportagem, o grupo deve cerca de R$ 3 milhões a 94 credores de Ribeirão Preto. Entre eles, seis investidores possuem aplicações que variam de R$ 1 milhão a R$ 31 milhões. Os demais credores têm valores aplicados que começam em cerca de R$ 200 e chegam a quase R$ 900 mil. Na região de Ribeirão Preto, o grupo também possui credores em outras 23 cidades, com mais de R$ 11 milhões investidos.

De acordo com o administrador e mestre em direito dos negócios André Rocha, os investidores são classificados como credores quirografários, ou seja, sem garantia. Isso significa que eles têm prioridade menor no processo de recuperação judicial.

Segundo ele, a situação é ainda mais complexa porque uma empresa de investimentos depende diretamente da confiança do mercado. O pedido de recuperação judicial da Fictor Holding e da Fictor Invest envolve mais de R$ 4,2 bilhões em dívidas. Criado em 2007, o grupo atua em diferentes áreas, como:

  • Agronegócio
  • Energia
  • Finanças
  • Indústria de alimentos
  • Tecnologia
  • Investimentos imobiliários

Inicialmente, apenas duas empresas entraram no processo, mas a Justiça determinou a inclusão de outras 41 companhias, totalizando 43 empresas em recuperação judicial.

Possibilidade de pagamento

Segundo especialistas, as chances de recuperação dos valores dependem da forma como a Justiça organizará o processo. Caso haja a chamada consolidação substancial, os ativos e dívidas de todas as empresas seriam unificados em um único plano de recuperação.

Nesse cenário, aumentaria a possibilidade de pagamento aos credores, já que outras empresas do grupo possuem ativos em setores como proteína animal, energia e infraestrutura. Sem essa unificação, cada empresa teria um plano próprio, o que reduziria as chances de recuperação para os investidores da área financeira.

O grupo atribui parte da crise à tentativa de compra do Banco Master em novembro de 2025. A instituição foi liquidada pelo Banco Central do Brasil após avaliação de que a situação financeira estava comprometida.

Segundo o grupo, as notícias sobre a liquidação afetaram a reputação da empresa e levaram clientes a retirar recursos, provocando uma crise de liquidez.

Suspensão de bloqueios

Diante do pedido de recuperação, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a suspensão, por 30 dias, de novos processos de execução e de bloqueios de bens contra duas empresas do grupo.

A medida vale apenas para bloqueios futuros. Valores e bens já retidos continuam indisponíveis até a conclusão de uma perícia que vai analisar a situação financeira das empresas e possíveis indícios de fraude.

Ainda não há prazo definido para que a Justiça decida se aceita oficialmente o pedido de recuperação judicial. Enquanto isso, os credores seguem aguardando os próximos desdobramentos do caso.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.