Em março, o Icesp (Instituto de Câncer de São Paulo) encerrou os estudos por não conseguir comprovar efeito no medicamento
A fosfoetanolamina sintética, pílula desenvolvida pelo professor Gilberto Chiere da USP de São Carlos, continua gerando controvérsia. Anunciada como cura para o câncer, a substância motivou a criação de uma CPI na Assembleia Legislativa de São Paulo para investigar a suspensão dos estudos que investigariam sua eficácia.
Suspensão dos Estudos e Questionamentos
Em março de 2023, o Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo) encerrou os estudos, alegando não haver comprovação da eficácia do medicamento. De 73 pacientes analisados, apenas um apresentou melhora. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) repudiou a CPI, afirmando a credibilidade do estudo do Icesp. O vice-presidente da CPI, Rafael Silva, contestou a interferência do Cremesp, argumentando que não cabe ao conselho impedir a análise parlamentar.
Irregularidades nos Testes
A vice-presidente da Viva Fosfo, Bernadette Kioff, e o pesquisador Durvanei Augusto Maria apontaram diversas irregularidades nos testes conduzidos pelo Icesp. A principal delas foi a ausência do estudo de farmacocinética, considerado fundamental para determinar a dose eficaz e o comportamento da substância em indivíduos saudáveis e com câncer. A falta desse estudo compromete a validade dos resultados.
Histórico e Distribuição Ilegal
Sintetizada há mais de 20 anos pelo professor Chiere, a fosfoetanolamina sintética foi distribuída a pacientes oncológicos sem testes clínicos e registro na Anvisa. Essa distribuição irregular levou diversas pessoas a recorrerem à justiça para acessar a substância. Após a decisão do Icesp em março, a produção da pílula foi suspensa.
A polêmica envolvendo a fosfoetanolamina sintética destaca a importância de rigor científico em pesquisas médicas e a necessidade de transparência na avaliação de novos tratamentos. A CPI busca esclarecer as controvérsias e garantir a segurança dos pacientes.



