Cidade registrou 37 casos no primeiro semestre de 2016, contra 26 no mesmo período de 2015
Os casos de estupro em Ribeirão Preto apresentaram um aumento alarmante no primeiro semestre deste ano, gerando preocupação entre autoridades e especialistas. Dados da Secretaria de Segurança Pública revelam um total de 37 casos registrados de janeiro a junho, o maior número desde 2014 e um aumento de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A Morosidade das Investigações
A advogada Nágila Ferras, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e coordenadora regional da Comissão da Mulher da UAB, destaca a lentidão nas investigações como um dos principais problemas. Apesar da existência de uma lei que pune o estupro, a demora na apuração dos casos, a falta de perícias e exames adequados, e a ausência de investimento em segurança pública dificultam a punição dos agressores.
Ações e Iniciativas em Defesa da Mulher
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e a coordenadoria regional da Comissão da Mulher da UAB têm realizado diversas ações para combater a violência contra a mulher. Essas iniciativas incluem reuniões para cobrar políticas públicas efetivas e a realização de eventos como o fórum regional em comemoração aos 10 anos da Lei Maria da Penha, com o objetivo de engajar a população na luta pelo fim da violência.
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O Aumento das Denúncias e o Trauma das Vítimas
O psiquiatra Tiago Apolinário, do Cé Avidas do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, acredita que o aumento nos casos pode estar relacionado a uma maior conscientização e coragem das vítimas em denunciar. No entanto, o medo e o estigma social ainda representam barreiras significativas para a busca de ajuda. Apolinário ressalta a importância do apoio médico e psicológico para as vítimas, independentemente do registro policial.
O cenário expõe a urgência de fortalecer as políticas públicas de proteção à mulher e de garantir um sistema de justiça mais célere e eficiente. A conscientização e o apoio às vítimas são igualmente cruciais para romper o ciclo de violência e promover uma sociedade mais justa e igualitária.



