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Cresce o número de produtores rurais que entraram em recuperação judicial

Queda no preço dos produtos e aumento nos custos de produção impactam o setor; José Carlos de Lima Júnior analisa o cenário
Cresce o número de produtores rurais
Queda no preço dos produtos e aumento nos custos de produção impactam o setor; José Carlos de Lima Júnior analisa o cenário

Queda no preço dos produtos e aumento nos custos de produção impactam o setor; José Carlos de Lima Júnior analisa o cenário

O número de pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais tem aumentado em diversas regiões do Brasil, Cresce o número de produtores rurais que entraram em recuperação judicial, refletindo um cenário preocupante para o agronegócio. Segundo José Carlos de Lima Júnior, especialista que acompanha o setor, essa situação é resultado da combinação da queda nas cotações das commodities e do aumento dos custos de produção, fatores que pressionam financeiramente os produtores.

José Carlos relata que, após percorrer estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, percebeu que a inadimplência cresce e muitos produtores buscam a recuperação judicial como uma forma de renegociar dívidas e manter suas atividades. Ele destaca que essa situação não é restrita a essas regiões, mas também afeta estados como São Paulo.

Recuperação judicial: uma solução temporária com efeitos em cadeia

A recuperação judicial permite que o produtor renegocie suas dívidas com credores para ganhar tempo e tentar equilibrar suas finanças. No entanto, José Carlos alerta para o efeito cascata que essa medida pode gerar. Enquanto o produtor ganha um fôlego para cumprir seus compromissos, os fornecedores que dependem desses pagamentos acabam sendo impactados, o que pode comprometer toda a cadeia produtiva, incluindo varejistas, distribuidores e indústrias.

Desafios econômicos e impacto no agronegócio: O especialista explica que a combinação da queda dos preços dos produtos agrícolas com o aumento dos custos de produção cria uma equação difícil de ser equilibrada. Além disso, o tempo entre a compra de insumos pelo produtor e o pagamento dessas despesas pode levar meses, o que agrava a situação financeira no curto prazo.

Outro fator preocupante é a possibilidade de aumento das taxas de juros, que, após um período em que se cogitava redução, atrásra voltam a subir. Isso significa que os produtores terão custos financeiros maiores para honrar suas dívidas, o que pode prolongar a situação de dificuldade.

Perspectivas para 2024 e 2025: José Carlos destaca que o final de 2024 e o primeiro semestre de 2025 podem ser especialmente desafiadores para o setor. A principal preocupação é como os produtores conseguirão planejar a produção para o próximo ano diante das dificuldades financeiras. Menor investimento no campo pode resultar em menor produtividade e, consequentemente, em oferta reduzida de alimentos.

Além disso, as empresas que dependem dos pagamentos dos produtores, como indústrias e fornecedores, também enfrentarão dificuldades para cumprir seus compromissos financeiros, o que pode agravar o cenário econômico do setor.

Diferenças entre cadeias produtivas e exportação

Apesar do cenário geral preocupante, José Carlos ressalta que o agronegócio é composto por diversas cadeias produtivas que enfrentam realidades distintas. Enquanto produtores de grãos, como milho e soja, enfrentam maiores desafios devido à queda nos preços, outras culturas, como batata, laranja, cacau, café e até cana-de-açúcar, apresentam perspectivas mais positivas em termos de preço.

Na exportação, o cenário também varia conforme o produto. O suco de laranja, por exemplo, mantém preços historicamente altos, enquanto a soja e o milho têm cotações em queda, influenciadas pela entrada da safra americana prevista para novembro. Além disso, o ciclo de exportação envolve um intervalo de dois a três meses entre a decisão de venda e a efetiva entrada dos recursos, o que significa que os resultados financeiros dessas operações só serão percebidos no final de 2024 ou início de 2025.

Entenda melhor
  • Recuperação judicial: instrumento legal que permite a renegociação de dívidas para evitar a falência e manter a atividade produtiva.
  • Impacto em cadeia: inadimplência dos produtores pode afetar fornecedores, indústrias e varejistas, gerando um efeito cascata na economia do agronegócio.
  • Diferenças entre culturas: enquanto algumas cadeias enfrentam dificuldades, outras apresentam preços mais favoráveis, evidenciando a heterogeneidade do setor.
  • Exportação: o ciclo de venda e entrega pode atrasar a percepção dos impactos financeiros, influenciando o planejamento dos produtores.

José Carlos de Lima Júnior recomenda que os produtores adotem uma gestão de risco rigorosa, com atenção especial aos custos de arrendamento e aos custos de produção por área plantada. É fundamental que o produtor saiba exatamente quanto investe para produzir e se o preço recebido cobre esses custos, garantindo a sustentabilidade do negócio.

Em resumo, o agronegócio brasileiro enfrenta um momento de desafios financeiros significativos, com efeitos que podem se estender para 2025. A adoção de práticas de gestão eficientes e a atenção às especificidades de cada cadeia produtiva serão essenciais para minimizar os impactos e buscar a recuperação do setor.

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