Quem fala destes índices e o que eles representam é o Gestor de Território da Aldeias Infantis SOS, Carlos Silva
Durante a semana da Consciência Negra, Crianças pretas e pardas formam imensa, a CBN debateu o racismo estrutural presente no sistema de acolhimento de crianças e adolescentes no Brasil. Uma pesquisa nacional intitulada “Vozes e Rompimento de Vínculos”, publicada em junho de 2023 pela Aldeia Infantes SOS, revelou que 80,6% dos jovens egressos dos serviços de acolhimento se autodeclaram pretos ou pardos.
Discrepância racial no acolhimento: Carlos Silva, gestor de território da Aldeia Infantes SOS, explicou que essa discrepância evidencia a persistência do racismo estrutural no país, contrariando a ideia de democracia racial. Segundo ele, a maioria das crianças acolhidas sofre negligência, o principal motivo para a medida protetiva, e a prevalência de crianças pretas e pardas indica falhas nas estruturas sociais brasileiras, que refletem desigualdades históricas decorrentes da escravidão.
Tempo de permanência e dificuldades na adoção
A pesquisa também mostrou que mais de 80% dos acolhidos permanecem em abrigos por mais de cinco anos, um tempo maior em comparação com crianças brancas. Silva apontou que a preferência por recém-nascidos e crianças brancas dificulta a adoção de crianças pretas e pardas, especialmente as mais velhas, aumentando o tempo de permanência nos serviços de acolhimento.
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Racismo institucional e pobreza: O gestor destacou a intersecção entre pobreza, racismo e acolhimento, ressaltando que a negligência frequentemente está associada a condições de vulnerabilidade social enfrentadas por mulheres pretas e pardas, muitas vezes mães solo. Ele criticou a confusão entre pobreza e negligência, indicando que políticas públicas precisam ser repensadas para evitar que preconceitos disfarçados influenciem decisões de acolhimento.
Atuação da Aldeia Infantes SOS: A Aldeia Infantes SOS atua em duas frentes: acolhimento de crianças que perderam o cuidado parental, por meio de casas-lar com equipes técnicas e mães sociais, e prevenção, por meio de núcleos de apoio à família que buscam evitar o rompimento dos vínculos familiares. Além disso, desenvolve projetos para jovens focados em tecnologia e inserção no mercado de trabalho, visando quebrar o ciclo de pobreza. A organização também realiza advocacy para influenciar políticas públicas mais inclusivas e eficazes.
Entenda melhor
A pesquisa “Vozes e Rompimento de Vínculos” foi publicada pela Aldeia Infantes SOS em junho de 2023 e destaca a predominância de jovens pretos e pardos nos serviços de acolhimento, além de apontar para a necessidade de revisão das políticas públicas relacionadas à negligência e adoção no Brasil.



