Muitos pais, ainda na gestação, criam uma página para falar deste universo; quem analisa é o psicólogo Washington Barbosa
A exposição precoce de crianças em redes sociais tem gerado debates acalorados entre especialistas e pais. Afinal, até bebês que ainda não nasceram já possuem perfis com milhares de seguidores, criados por seus pais influenciadores digitais. Mas será que essa prática é benéfica para o desenvolvimento infantil?
Riscos da exposição precoce
De acordo com o psicólogo infantil Washington Barbosa, a exposição precoce em redes sociais apresenta inúmeros riscos para a criança. A pressão por se encaixar nas expectativas dos seguidores pode gerar cobranças excessivas, levando a problemas psicológicos e afetando a construção da identidade infantil. A criança pode se sentir pressionada a apresentar uma imagem perfeita, sem espaço para a espontaneidade e a expressão natural de suas emoções, o que pode levar à frustração e à baixa autoestima.
O impacto nas relações familiares e o uso de tecnologia
Além dos problemas psicológicos, o uso excessivo de celulares e a exposição constante às redes sociais podem acarretar problemas físicos, como transtornos de sono e de alimentação, sedentarismo e problemas posturais. A facilidade de acesso à informação e entretenimento na internet também pode levar à dificuldade de lidar com a espera e a frustração, contribuindo para a ansiedade e a impaciência. A comparação constante com outras vidas virtuais, muitas vezes idealizadas, pode gerar ainda mais frustração e insatisfação, impactando negativamente a saúde mental da criança. A falta de tempo para atividades que promovem o desenvolvimento físico e social também é um ponto crítico.
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A Sociedade Brasileira de Pediatria também alerta para os riscos à saúde física e mental, incluindo depressão, dependência e problemas de sono e alimentação. O excesso de estímulos virtuais pode dificultar a formação de uma identidade saudável, levando a conflitos internos na adolescência.
Alternativas e conclusões
O psicólogo Washington Barbosa destaca a importância de um uso moderado das redes sociais, com monitoramento e controle dos pais. A prioridade deve ser a interação real, o desenvolvimento de habilidades sociais e a construção de laços afetivos sólidos. A criança precisa de tempo para brincar, explorar o mundo e se desenvolver de forma natural, sem a pressão de construir uma imagem perfeita para as redes sociais. O equilíbrio entre o mundo virtual e o real é fundamental para uma infância saudável e feliz.


