A atuação do crime organizado no agronegócio tem preocupado autoridades e especialistas, especialmente no interior de São Paulo. A falsificação de agrotóxicos é apontada como uma das principais frentes de atuação dessas organizações.
Segundo o promotor de Justiça Adriano Mellega, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a região que abrange cidades como Ribeirão Preto, Franca e São José do Rio Preto concentra boa parte dessas atividades ilegais.
Além da produção clandestina, os produtos falsificados são distribuídos para diversos estados brasileiros, ampliando os impactos econômicos e riscos à saúde.
Atuação criminosa
De acordo com o promotor, o combate ao crime organizado no agro tem mobilizado diferentes instituições e até mudanças na legislação. Em 2023, houve aumento de penas relacionadas a crimes com agrotóxicos, refletindo a gravidade do problema.
As organizações atuam em diversas frentes, como falsificação, roubo, furto e contrabando, utilizando estruturas logísticas complexas para distribuição dos produtos. Essas operações, segundo Mellega, muitas vezes seguem rotas semelhantes às usadas pelo tráfico de drogas, aproveitando a malha rodoviária para escoamento das mercadorias ilegais.
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Impacto regional
O interior paulista se tornou um dos principais polos dessas atividades, com influência que ultrapassa os limites do estado. Após a produção e o envase, os produtos falsificados são enviados para diferentes regiões do país, o que amplia o alcance das organizações criminosas.
O promotor destaca que a investigação financeira é uma das principais estratégias para combater essas quadrilhas, buscando identificar líderes e bloquear recursos obtidos de forma ilícita. Para os produtores rurais, o principal risco está na compra de produtos mais baratos, que podem ter origem ilegal.
Além de prejuízos financeiros, o uso de agrotóxicos falsificados pode resultar em sanções administrativas e ambientais, incluindo multas e até a destruição de lavouras. A recomendação é verificar a procedência dos produtos, conferindo o CNPJ dos fornecedores e priorizando empresas autorizadas e cadastradas junto às indústrias.



