Por causa do orçamento reduzido, muitas pessoas têm diminuído as doses de remédios por conta própria
Com a alta dos preços, muitas famílias brasileiras têm cortado gastos em diversas áreas, inclusive em setores essenciais como saúde. Uma pesquisa recente apontou uma queda de aproximadamente 10% nas vendas de medicamentos, indicando que parte da população está reduzindo doses ou até mesmo interrompendo tratamentos.
Redução de doses e consequências
O impacto dessa realidade é sentido diretamente por pessoas como Maurício Bautner, que sofre de hipertensão e asma. Com o custo mensal dos remédios ultrapassando R$ 200, ele frequentemente precisa reduzir as doses para que o orçamento familiar se ajuste. “Reduz a dose de 2 por dia, faço 1 por dia, prioridade tomar de manhã e o da noite não uso”, relata Maurício. Ele também admite atrasos na ingestão de medicamentos para asma nos últimos meses. Essa prática, comum entre aqueles com dificuldades financeiras, pode trazer consequências graves à saúde.
Riscos da interrupção de tratamentos
A interrupção ou redução de tratamentos para doenças crônicas, como hipertensão, pode levar a complicações sérias, inclusive infarto. Segundo o professor de medicina Bernardino Solto, da UFSCAR, doenças crônicas controláveis, quando abandonadas, tendem a piorar, mesmo que o paciente se sinta bem no momento. “Algumas doenças crônicas, elas não são curáveis, mas elas são controláveis. Então, se a pessoa abandona o tratamento, a doença complica, ainda que ela esteja se sentindo muito bem. Ela está sentindo bem porque ela está sob efeito do medicamento, mas se tirar vai complicar”, explica o professor. A interrupção abrupta de alguns medicamentos, mesmo que não sejam para doenças crônicas, pode causar mal-estar devido à dependência criada no organismo.
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Em momentos de crise econômica, a busca por alternativas para acesso a medicamentos se torna crucial. A utilização da rede pública de saúde e a pesquisa por preços mais acessíveis são medidas importantes para minimizar os impactos financeiros e garantir a continuidade dos tratamentos. A saúde não pode ser um luxo, e a busca por soluções para garantir o acesso a medicamentos essenciais é fundamental para a população.


