Demissões fizeram com que mais de 1,5 milhão de pessoas deixassem de ter convênios médicos em 2015
A Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP), representando mais de 40 mil estabelecimentos de saúde, alerta para um possível colapso no Sistema Único de Saúde (SUS) devido ao aumento da demanda gerada pela perda de planos de saúde por 1,6 milhão de usuários no último ano. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que 780 mil pessoas perderam seus planos apenas nos primeiros cinco meses de 2016, principalmente planos empresariais, como consequência da crise econômica e do aumento do desemprego.
Impacto no SUS e Desafios Iminentes
Iusif Ali Júnior, presidente da FEHOESP e do Sindicato dos Hospitais de Ribeirão Preto, destaca que a principal preocupação é a transferência desse grande número de pessoas desempregadas para o SUS, o que agrava ainda mais as dificuldades de acesso ao sistema. A perda de empregos formais, responsáveis por grande parte dos planos de saúde suplementares no Brasil, tem um impacto direto na saúde pública.
A Visão de Especialistas e Possíveis Soluções
André Lucirton Costa, especialista em gestão de saúde da USP, concorda que o aumento no número de pessoas sem convênio médico sobrecarregará as filas de espera no SUS. Ele enfatiza que a perda do emprego acarreta a perda do benefício do plano de saúde, levando muitos a recorrerem ao sistema público. Costa sugere que as autoridades não devem esperar a recuperação econômica para agir e propõe soluções imediatas, como a contratação de serviços privados pelo SUS para suprir a falta de vagas no setor público.
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Alternativas e Gestão de Recursos
Costa ressalta que o sistema de saúde, considerando tanto o setor público quanto o privado, possui capacidade para atender à demanda, mas é crucial uma gestão eficiente e a alocação adequada de recursos para facilitar a migração da prestação de serviços entre os setores. Em 2015, o setor de convênios médicos privados faturou R$ 161,9 bilhões e empregou mais de 2 milhões de pessoas, mas enfrenta uma estagnação no crescimento este ano.
Diante desse cenário, a colaboração entre os setores público e privado e a implementação de estratégias eficazes de gestão são essenciais para garantir o acesso à saúde para todos.


