Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
A crise econômica e política no Brasil lança uma sombra de incerteza sobre um dos seus pilares econômicos: o café. O país, um dos maiores exportadores mundiais, enfrenta um possível revés em suas negociações internacionais devido a um problema financeiro inesperado.
A Taxa Pendente na Organização Internacional do Café
O Brasil corre o risco de perder seu direito a voto na Organização Internacional do Café (OIC), uma entidade que reúne 77 países responsáveis pela maior parte da produção e exportação mundial do grão. Para participar ativamente da OIC, cada país membro deve pagar uma taxa anual, proporcional à sua importância no setor. O Brasil, como um dos principais produtores, deve arcar com R$ 2,3 milhões este ano. Surpreendentemente, devido ao déficit em suas reservas, o país alega não ter recursos para quitar essa obrigação.
Implicações da Perda de Voto
A não participação nas discussões da OIC, especialmente a perda do direito de voto, pode ter sérias consequências para o Brasil. A organização desempenha um papel crucial na análise de mercado e na definição de estratégias para o futuro da cadeia produtiva do café. A ausência do Brasil nessas discussões pode comprometer sua capacidade de influenciar as decisões e, consequentemente, os investimentos dos produtores brasileiros.
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A Gaffe Presidencial sobre o Etanol na ONU
Em um evento não relacionado, a presidente Dilma Rousseff cometeu uma gafe durante seu discurso na ONU ao mencionar o etanol. Ela se comprometeu a aumentar a participação do etanol na matriz energética brasileira para 16%, visando reduzir as emissões de carbono. No entanto, a participação atual do etanol já é de 17%, demonstrando um desconhecimento dos dados do setor. Esse deslize, somado à crise no setor cafeeiro, levanta preocupações sobre a compreensão do governo em relação aos principais setores da economia brasileira.
O cenário expõe fragilidades na gestão econômica e na representação do país em fóruns internacionais.