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Cristianismo evangélico cresce no Brasil e amplia presença na cultura e na política

Série especial da CBN analisa as origens da fé evangélica, sua expansão nas periferias e os desafios ligados à intolerância religiosa
Cristianismo
CBN Campinas

O cristianismo evangélico se tornou uma das forças religiosas mais visíveis do Brasil contemporâneo, presente na cultura popular, no debate político e no cotidiano das cidades. No segundo episódio da série especial da CBN sobre religião, cultura e intolerância, a reportagem aborda como essa fé surgiu, se expandiu e passou a ocupar espaços públicos.

A presença evangélica é percebida em músicas, símbolos, eventos e discursos que atravessam diferentes ambientes sociais. Esse crescimento, no entanto, também trouxe tensões, estigmas e debates sobre intolerância religiosa e convivência em uma sociedade plural.

A reportagem recupera o percurso histórico do protestantismo até a consolidação do pentecostalismo no Brasil e discute como essa trajetória ajuda a explicar sua força atual.

Origens históricas

A base do cristianismo evangélico está na Reforma Protestante do século XVI, liderada por Martim Lutero. Ao questionar o monopólio da Igreja Católica sobre a interpretação da Bíblia, Lutero defendeu o acesso direto ao texto sagrado, o que impulsionou a alfabetização e a criação de escolas.

Segundo a professora Brenda Carranza, da Unicamp, a livre interpretação da Bíblia foi um princípio revolucionário, que ampliou o acesso ao conhecimento e deu origem a diferentes vertentes do protestantismo ao longo dos séculos.

Esse movimento atravessou continentes e preparou o terreno para novas formas de vivência religiosa que surgiriam no século XX.

Pentecostalismo

Um marco decisivo ocorre em 1906, nos Estados Unidos, com o surgimento do pentecostalismo, caracterizado por uma experiência religiosa intensa, marcada por música, emoção e sensação de contato direto com o sagrado.

Ao chegar ao Brasil, no início do século XX, o pentecostalismo encontrou espaço principalmente entre populações pobres, trabalhadores urbanos e moradores das periferias. O crescimento foi gradual e silencioso, construído a partir da base social.

De acordo com Brenda Carranza, esse avanço ocorreu de forma capilar, dentro do povo, e inicialmente enfrentou preconceito por estar associado às camadas mais pobres da população.

Cultura evangélica

Com o passar das décadas, a fé evangélica ultrapassou os limites dos templos e passou a ocupar rádios, televisões, palcos e ruas. A música gospel se transformou em fenômeno cultural, reunindo grandes públicos e alcançando milhões de reproduções nas plataformas digitais.

Do coral tradicional ao rap evangélico, as formas mudaram, mas a mensagem de fé, identidade e pertencimento permaneceu. Para o bispo Geraldo Tenuta, da Igreja Renascer em Cristo, essa vivência acompanha o cotidiano das pessoas e dialoga com a realidade social.

Eventos como a Marcha para Jesus simbolizam essa ocupação do espaço público. Criada nos anos 1990, a manifestação reúne milhões de pessoas e integra oficialmente o calendário nacional desde 2009.

Política e diversidade

O crescimento numérico também levou à ampliação da influência política de grupos evangélicos, especialmente a partir da segunda metade do século XX. Igrejas passaram a ocupar espaços de poder e a defender pautas morais e religiosas.

Brenda Carranza alerta para a atuação de grupos ultraconservadores que utilizam a política para impor visões morais e práticas de intolerância. Ao mesmo tempo, ela ressalta que não existe um único perfil evangélico e que generalizações reforçam estigmas.

O bispo Geraldo Tenuta destaca a importância da tolerância e do equilíbrio, defendendo que o evangelho não deve ser instrumento de exclusão, mas de acolhimento e diálogo.

Atuação social

Além das disputas públicas, a reportagem mostra o trabalho cotidiano das igrejas evangélicas nas comunidades, com ações de assistência social, apoio emocional e recuperação de dependentes químicos.

Esse trabalho, muitas vezes invisível, ajuda a explicar a permanência e a força do cristianismo evangélico no país, especialmente em contextos de crise social e econômica.

A série aponta que compreender a diversidade interna do evangelicalismo é um passo importante para reduzir preconceitos, ampliar o diálogo e conviver melhor com as diferenças religiosas no Brasil.

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