Países, como Itália, registraram queda no número de casos e óbitos; pesquisador Rodrigo Stábeli explicou o atual cenário
Cenário da Covid-19 no Brasil: um retrato de descentralização
Em meio à pandemia de Covid-19, o Brasil se destaca por uma curva de contágio ascendente, enquanto outros países, mesmo após mais de 100 dias de quarentena, já apresentam queda nos números. Segundo o Dr. Rodrigo Stábili, pesquisador da Fiocruz, essa diferença se deve à falta de coordenação central na estratégia de combate à doença. Ao invés de um plano nacional que considerasse a realidade de diferentes regiões e permitisse o relaxamento econômico de forma escalonada, o país enfrentou ações fragmentadas, com cada estado atuando de maneira independente.
Impacto da abertura prematura em Ribeirão Preto
A cidade de Ribeirão Preto ilustra os efeitos da abertura precoce do comércio. Com a ocupação de leitos de UTI chegando a 85,2%, um aumento significativo em relação às semanas anteriores (de 60% para 70%), a região demonstra o reflexo da decisão de flexibilizar as medidas de restrição. O Dr. Stábili destaca que, embora o prefeito tenha tomado medidas de contenção no início da pandemia, a abertura de 15 dias em junho já demonstrava resultados preocupantes, com aumento de casos e internações. A previsão é de que, com o retorno à fase 1 da quarentena, a situação se agrave nas próximas semanas.
Alerta para os próximos dias
Com a taxa de transmissão na região de Ribeirão Preto atingindo 1,3 (cada pessoa infecta até três outras), o cenário é de preocupação. A ocupação de leitos de UTI supera a de enfermaria, indicando um aumento de casos graves. O especialista alerta para um possível aumento expressivo de pacientes graves nas próximas semanas, exigindo ainda mais leitos, não só em Ribeirão Preto, mas também nas cidades vizinhas. O aumento na demanda por UTI na macrorregião de Ribeirão Preto chegou a 100%, assim como o número de mortes. O apelo final é pela conscientização individual e pelo retorno ao distanciamento e isolamento social.
Leia também
A situação exige atenção máxima e ações coordenadas para conter o avanço da doença. A experiência de outros países demonstra a importância de uma estratégia nacional eficiente e adaptada à realidade do território brasileiro, evitando a abertura prematura e o agravamento da crise sanitária.



