No país cerca 28 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, o que agrava o problema da exploração de crianças
Em 2 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, dados preocupantes sobre a realidade brasileira vieram à tona. Segundo o IBGE (2019), antes da pandemia, 1.760.000 crianças trabalhavam no país; a UNICEF aponta números ainda mais altos, chegando a 2,7 milhões de crianças entre 5 e 17 anos.
Cenário da exploração infantil no Brasil
A pesquisa demonstra uma realidade alarmante: 21,3% das crianças trabalhadoras tinham entre 5 e 13 anos, 25% entre 14 e 15 anos, e 53,7% entre 16 e 17 anos. O promotor de justiça Eduardo Cambi destaca que a raiz do problema reside na pobreza extrema: 28 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, e 17,5 milhões de famílias sobrevivem com renda per capita de até R$ 105. Essa situação força muitas crianças e adolescentes a buscarem trabalho para garantir sua própria sobrevivência.
Impacto na educação e desigualdade regional
O Tocantins apresenta a maior incidência de trabalho infantil, enquanto o Rio de Janeiro registra os menores índices. A Unicef também revela que 20,3% das crianças entre 4 e 17 anos tiveram o direito à educação negado, sendo que 13,8% frequentavam a escola, mas eram analfabetos ou apresentavam atraso escolar. Cerca de 2,8 milhões de crianças estavam completamente fora da escola. A lei proíbe o trabalho infantil, mas a realidade mostra a urgência de ações efetivas.
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Combate ao trabalho infantil: denuncie!
Eduardo Cambi enfatiza a importância da denúncia como principal ferramenta de combate ao trabalho infantil. Para denunciar, é possível entrar em contato pelo número 100 (Ministério da Família, Criança e dos Direitos Humanos), Conselho Tutelar, delegacias regionais do trabalho, Ministério Público e Ministério Público do Trabalho. A situação de crianças que precisam trabalhar desde cedo é triste e requer a união de esforços para mudar essa realidade.



