Quem analisa essa tendência das pessoas se casarem mais de uma vez é a psicóloga e doutora pela USP, Carolline Rangel
Casamentos entre divorciados superam os de solteiros em SP, aponta pesquisa do Seade
Casamentos em Tempos Modernos
Uma pesquisa recente da Fundação Seade revelou um dado surpreendente sobre a nuptialidade em São Paulo em 2023: o número de casamentos civis entre pessoas divorciadas superou o de solteiros. Este fenômeno é mais comum entre homens a partir dos 45 anos e mulheres a partir dos 50, sugerindo que aqueles que chegaram a essa idade sem se casar demonstram menor interesse em se unir.
A Perspectiva da Psicologia
Para entender esse comportamento, conversamos com a psicóloga Caroline Rangel. Segundo ela, essa tendência reflete as novas formas de laço social na sociedade contemporânea. A fragilidade dos laços afetivos é um ponto relevante, mas contrapõe-se à necessidade de companhia. A busca por um novo casamento entre divorciados, principalmente em faixas etárias mais maduras, indica a valorização de um relacionamento estável, mesmo após uma experiência de separação. A psicóloga destaca que não existe mais um modelo único de relacionamento, e que a repetição do casamento pode indicar a busca por um laço que, uma vez experimentado, é desejado novamente.
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Desafios Contemporâneos e a Busca por Parceria
A busca por um novo casamento após o divórcio, segundo Caroline Rangel, também pode estar relacionada a fatores como a estabilidade financeira e a inserção da mulher no mercado de trabalho. A partir dos 45 anos, muitas pessoas buscam um parceiro para compartilhar um projeto de vida. A psicóloga ressalta a importância da “parceria” como elemento central nessa busca. A experiência anterior, mesmo que tenha terminado em divórcio, não desanima a busca por um novo relacionamento, demonstrando uma crença na possibilidade de uma união bem-sucedida. As mudanças sociais, tecnológicas e a utilização de aplicativos de relacionamento também influenciam essas novas dinâmicas, impactando a forma como as pessoas se conectam e constroem relacionamentos.
Os dados da pesquisa do Seade levantam questionamentos interessantes sobre as relações contemporâneas, mostrando a complexidade das escolhas individuais e a busca contínua por conexões significativas. A fragilidade dos laços afetivos, apontada pela psicóloga, reforça a importância de cultivar e fortalecer os relacionamentos para que estes possam prosperar em um contexto marcado por novas formas de interação social.



