Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Reger Sena
Sertãozinho, importante polo industrial do interior paulista, enfrenta um momento delicado. Um levantamento recente do Ministério do Trabalho revelou que a cidade ocupa uma das últimas posições em um ranking de 370 municípios do estado de São Paulo, no que se refere a contratações e demissões.
Crise no Setor Sucroalcooleiro Impacta Metalúrgicas
Com um parque industrial composto por cerca de 550 metalúrgicas, Sertãozinho tem sua economia fortemente ligada ao setor sucroalcooleiro. A maioria dessas indústrias fornece máquinas e equipamentos para usinas de açúcar e álcool da região. No entanto, a crise que assola o setor sucroalcooleiro tem gerado um efeito cascata, afetando diretamente as metalúrgicas.
Antônio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Centro das Indústrias de Sertãozinho, em entrevista à CBN Ribeirão, detalhou a situação. Segundo ele, a crise se arrasta desde 2007, com o setor enfrentando dificuldades tanto no mercado interno quanto no internacional. A ausência de uma política consistente de incentivo ao etanol na matriz energética brasileira, similar à existente nos Estados Unidos, agrava o cenário.
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Fatores Internos e Externos Agravam a Situação
Além da falta de incentivo ao etanol, o mercado de açúcar também enfrenta desafios. O Brasil, sendo o maior produtor e exportador mundial, tem sofrido com a sobreoferta do produto nos últimos anos, o que derrubou os preços e impactou negativamente as usinas. A situação se agrava com problemas climáticos, como a quebra na produção de cana devido à falta de chuvas, que pode chegar a 30%.
Demissões e Risco de Falências
O reflexo dessa crise nas metalúrgicas é evidente no número de demissões. Em 2007, Sertãozinho contava com cerca de 15 mil metalúrgicos. A expectativa era que esse número ultrapassasse os 20 mil, mas, atualmente, não chega a 10 mil. Muitas empresas não demitem mais por falta de recursos para arcar com os custos rescisórios. A ociosidade no setor ultrapassa os 65%, e a falta de encomendas de novas máquinas e equipamentos para as usinas agrava a situação.
O risco de falências é real, com casos de recuperação judicial e empresas que lutam para se manter em operação. A esperança reside em uma possível recuperação do setor sucroalcooleiro e na retomada dos investimentos em tecnologia e eficiência.
O cenário atual impõe desafios significativos para Sertãozinho, exigindo medidas para mitigar os impactos da crise e buscar alternativas para diversificar sua economia.



