Ação exigia que autarquia acabasse com o problema em 48h; órgão alega que a distribuição é antiga e manutenção não era adequada
Após uma liminar determinar que o Daerp resolva o problema de abastecimento de água em Ribeirão Preto em 48 horas, o gestor da autarquia, Afonso Reis do Arte, convocou uma coletiva de imprensa para se justificar.
Justificativas do Daerp
Afonso Reis alegou a impossibilidade de corrigir problemas em apenas 48 horas, afirmando que são necessários investimentos altíssimos e tempo (dois a cinco anos) para resolver o problema de abastecimento. Ele apontou a baixa receita para investimentos (2% ao ano, sendo necessário 15%), justificando a necessidade de um aumento na tarifa de água. O último reajuste foi em fevereiro, e o próximo só será possível no ano que vem. Comparando o valor da tarifa de água em Ribeirão Preto (R$ 20,10 para 10m³) com outras cidades (Franca: R$ 40,33; Campinas: R$ 70; Araraquara: R$ 38; São Carlos: R$ 33), ele destacou uma discrepância significativa, atribuída a um “populismo tarifário” dos últimos anos. A respeito de boatos de sabotagem, Afonso disse que o caso está sendo investigado pela polícia.
Divergências sobre o uso do Aquífero Guarani
O Ministério Público e o Gaema apontam que o Daerp capta seis vezes mais água do Aquífero Guarani do que o necessário. Afonso contestou essa informação, afirmando que a produção de água é de cerca de 13 mil m³ por mês, enquanto a fatura é de aproximadamente 4.988 m³, representando pouco mais do que o dobro, e não seis vezes. O diretor técnico, Valdu Vilani, reconheceu o desperdício de água devido a problemas na rede (15 vazamentos por quilômetro), atribuindo-os à falta de orientação técnica dos servidores durante muitos anos. Ele anunciou a troca de 120 mil hidrômetros ultrapassados na cidade.
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Próximos Passos e Reações
A promotora do Gaema, Cláudia Bibi, afirmou que, mesmo que o Daerp não consiga cumprir a determinação judicial em 48 horas, deve apresentar um cronograma de trabalhos futuros. Ela ressaltou que as dificuldades precisam ser solucionadas por meio de uma proposta de solução e cronograma. O Daerp tem 48 horas para regularizar o abastecimento, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.



