Danielle Zeoti comenta sobre causas e formas de prevenção da pedofilia
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu em São Paulo um influenciador digital suspeito de exploração sexual de crianças. A denúncia partiu da mãe da vítima, uma menina de 13 anos. João Paulo Manuel, conhecido como Capitão Hunter, de 45 anos, foi detido em São Tondredo, no ABC paulista. Ele produz conteúdo digital sobre personagens infantis e jogos online, possuindo mais de um milhão de seguidores, majoritariamente crianças e adolescentes.
Segundo a mãe, o influenciador conquistou a confiança da filha ao longo de dois anos, trocando mensagens em uma plataforma de jogos e, posteriormente, fazendo pedidos de cunho sexual em outra rede social. Em uma dessas conversas, ele teria prometido um bichinho de pelúcia e o exibido dentro da cueca.
O que é Pedofilia? Doença ou Crime?
A prisão do influenciador reacende o debate sobre a pedofilia. Mas, afinal, o que é pedofilia? É uma doença? Como se desenvolve? Para responder a essas e outras perguntas, a CBN convidou a psicóloga Danielis Izeote para esclarecer o tema.
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Danielis iniciou explicando que a pedofilia é considerada um transtorno mental, mas isso não isenta o indivíduo de responsabilidade legal. A pessoa sabe que está agindo contra a lei e os valores morais da sociedade.
Fatores Biológicos, Psicológicos e Sociais
A psicóloga ressaltou que a pedofilia é determinada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Não se nasce pedófilo. Estudos apontam alterações cerebrais em pedófilos, principalmente nas áreas associadas ao controle do impulso e ao impulso sexual. Fatores pré-natais, como maior exposição a hormônios masculinos, também podem influenciar.
Os fatores psicológicos são extremamente subjetivos e pessoais, relacionados a como a criança lidou com frustrações, privações, traumas e negligência. O ambiente em que a criança se desenvolveu também é crucial. Ambientes permissivos à hipersexualização infantil, com histórico de agressividade, uso de álcool e drogas, ou abuso sexual, aumentam o risco.
Controle, Não Cura
Danielis esclareceu que a pedofilia não tem cura, mas pode ser controlada. O transtorno pedofílico é reconhecido em manuais de diagnóstico em saúde mental (CID-11 e DSM-5) e é considerado uma condição crônica, podendo estar associada a transtornos de personalidade, como o narcisista e o antissocial.
O tratamento envolve medidas legais e judiciais, como prisão ou internação, para aqueles que já manifestaram o impulso. Indivíduos que sentem sofrimento pelo desejo por crianças buscam ajuda e são submetidos à psicoterapia a longo prazo, tratamento medicamentoso (antipsicóticos, antidepressivos) e, em alguns casos, castração química.
Identificando o Perfil e a Importância da Atenção
A psicóloga alertou para o perfil do pedófilo: um indivíduo carismático com crianças, com aparência de normalidade e inteligência na média ou acima da média. Ele é atencioso exclusivamente com crianças, tem poucos laços profundos com adultos e busca atuações profissionais que permitam o contato com crianças. Apresenta baixa capacidade de empatia e, em casos mais graves, justifica seus atos dizendo que não fez mal à criança ou que ela quis.
Danielis mencionou o filme “Um Olhar do Paraíso” como um exemplo de como um pedófilo pode passar despercebido. Ela também respondeu à pergunta de uma ouvinte, Nívia, afirmando que, embora a maioria dos pedófilos seja homens (95%), mulheres também podem cometer esse crime, muitas vezes de forma mais sutil, dificultando a identificação.
A principal recomendação é atenção. Pais devem estar atentos aos sinais e confiar em sua intuição. Se houver desconfiança, é fundamental proteger a criança. A psicóloga enfatizou a importância de conversar com os filhos sobre a inviolabilidade de seus corpos.
A discussão sobre a pedofilia, embora desconfortável, é fundamental para conscientizar e proteger as crianças.



