Ex-prefeita se recusou a responder os promotores de acusação, depondo apenas nos questionamentos feitos pela sua defesa
Chegada Discreta e Inquérito Judicial
Sob escolta policial, a ex-prefeita Darci Vera chegou a Ribeirão Preto por volta das 9h da manhã. Vestida com roupa da penitenciária feminina da cidade, onde estava detida desde segunda-feira, ela acessou o fórum pela lateral, evitando contato com a população. Diferentemente de sua última visita ao fórum, após a operação Civandiger, não houve manifestações.
Depoimento e Linha de Defesa
O depoimento, conduzido pelo juiz Lúcio Ferreira da Quarta Vara Criminal, contou com a participação dos promotores Frederico de Camargo e Leonardo Romanelli. Inicialmente, Darci Vera se limitou a responder apenas às perguntas de sua advogada, alegando que só responderia aos questionamentos da sua defesa. Apesar do direito ao silêncio, os promotores fizeram perguntas sobre o recebimento de dinheiro de Maria Zueli, a relação com os acusados e o aval para pagamentos de honorários, mesmo com a situação financeira precária da prefeitura. A acusação expressou seu desejo de obter respostas sobre esses pontos cruciais.
Alegações de Empréstimo e Bens
Após sua advogada assumir a defesa, Darci Vera alegou que os R$ 120 mil recebidos de Maria Zueli eram um empréstimo para ajudá-la a superar dificuldades financeiras, chegando a mencionar dívidas que quase a levaram ao SPC. Ela descreveu Zueli como alguém que emprestava dinheiro a diversas pessoas na prefeitura, justificando os atos como uma promessa em nome de Nossa Senhora Aparecida. Quanto aos seus bens, declarou possuir um apartamento, uma casa financiada com parcelas atrasadas e um carro popular, negando a posse de um apartamento nos Estados Unidos e uma fazenda, ambos investigados anteriormente. Afirmou nunca ter recebido vantagens ilícitas e prometeu provar sua inocência.
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O juiz Lúcio Ferreira, embora respeitando o direito ao silêncio, expressou seu desejo de que Darci Vera tivesse respondido às perguntas, considerando que a busca pela verdade é a missão da justiça. A advogada de defesa e os promotores se recusaram a comentar o caso após a audiência. Os promotores ressaltaram que o silêncio da ex-prefeita não altera o andamento do processo, especialmente considerando que ela defende a mesma linha de argumentação desde 2016, com exceção da questão do empréstimo. Outra investigação em andamento no Ministério Público apura crimes de lavagem de dinheiro, buscando esclarecer o destino dos aproximadamente R$ 45 milhões pagos a Maria Zueli Brandi. A suspeita é que parte desse valor tenha sido distribuído como propina.



