Agente foi ouvido em audiência que investiga irregularidades na Coderp; oitivas da Operação Sevandija continuam nesta quarta
Nesta terça-feira, os depoimentos da Operação Sevandija, que investiga o núcleo da Codep e apadrinhados políticos, foram retomados no Fórum de Ribeirão Preto. O juiz Lúcio Alberto Enés Ferreira ouviu Laíro Luques Júnior, ex-chefe da Casa Civil, e Davi Mansur Curie, superintendente da Codep. Ambos prestaram depoimentos que duraram mais de oito horas.
Depoimento de Laíro Luques Júnior
Luques Júnior, em seu depoimento iniciado às 10h, acusou o Ministério Público e a Polícia Federal de perseguição política, classificando a investigação como fantasiosa e direcionada a beneficiar um grupo político em vésperas de eleições. Negou conhecer qualquer ato de corrupção na prefeitura e afirmou que, se soubesse, seria o primeiro a denunciar. Questionado sobre as iniciais “LU” encontradas em uma nota de R$ 2 apreendida pela Polícia Federal, negou ter recebido propina do empresário Marcelo Plastino e alegou que as iniciais não se referiam a ele. Afirmou também que a pasta sob sua responsabilidade não tinha ingerência nos contratos da prefeitura com a Codep. Ao final do depoimento, bastante emocionado, fez um apelo ao juiz para que analisasse a denúncia tecnicamente e não politicamente, declarando: “Minha vida está em suas mãos, doutor”.
Depoimento de Davi Mansur Curie
Davi Curie, que veio diretamente da prisão, também tentou desqualificar a investigação. Ele acusou o agente Luís Alécio Janonés de parcialidade, alegando que a esposa do agente, Cristiane Dutra, trabalhava na Codep, tinha acesso a informações privilegiadas e possuía ligações com o PMDB. Curie afirmou que Cristiane Dutra o pressionou a assinar contratos com a empresa de Marcelo Pastino, dizendo: “Se você não assinar, você estará cometendo uma irregularidade”. Ele também acusou o agente de vazar informações sobre a operação antes de sua deflagração, afirmando que o sogro de Janonés já sabia da Sevandija dois dias antes. Curie negou ter recebido vantagens de Pastino, embora tenha admitido ter feito indicações para a Atmosfera, explicando que apenas encaminhava currículos para o RH da Codep e para a empresa. Ele descreveu Pastino como “sociopata, vingativo, desequilibrado e com sérios problemas psiquiátricos”, atribuindo o suicídio do empresário a esses problemas. Ao final do depoimento, Curie também se emocionou ao falar sobre os negócios da família.
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Os depoimentos de Maria Lúcia Pandolfo e do ex-vereador Giló estão previstos para hoje. O depoimento de Cicero Gomes foi remarcado para o dia 23 de novembro. A cobertura é de Felipe Mello, da CBN Ribeirão.



