Com entrada gratuita, apresentações serão no Teatro Sesi; quem fala sobre o espetáculo é Gustavo Paso, diretor do grupo
De perto ninguém é normal, diz o verso conhecido da música de Caetano Veloso — e é também o título que vem atraindo plateias para a companhia Epifania do Rio de Janeiro. A comédia, que já levou mais de 25 mil espectadores ao Teatro do César em São Paulo, começa hoje uma temporada em Ribeirão Preto: duas semanas, seis apresentações gratuitas.
Uma companhia longe dos holofotes da capital
Em entrevista ao programa, o diretor Gustavo Pazo falou sobre a trajetória de 24 anos da companhia e sobre o desafio de levar teatro ao interior. “Nossa função social é levar a cultura”, afirmou. Para Pazo, a gratuidade dos ingressos é uma estratégia de formação de público: “É um convite para mudar o hábito do interior”, disse, lembrando que a casa já estava lotada para a estreia e que as sessões seguintes também registravam boa procura.
O diretor contou que a peça chegou como um projeto de retomada pós-pandemia, pensado para trazer leveza ao público. “Queríamos que a primeira peça da volta fosse só alegria”, relatou. Ele também ressaltou a novidade pessoal: voltou ao elenco após mais de 20 anos sem pisar no palco, o que, segundo ele, trouxe ainda mais satisfação ao grupo.
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Ensaios, risos e o desafio de renovar a piada
Pazo detalhou as dificuldades de montar o espetáculo com um elenco em grande parte novo para ele — cerca de 70% do grupo é de atores de São Paulo — e o trabalho humano que envolve conhecer e integrar profissionais. A companhia, definida por ele como humanista, tem no repertório peças que misturam entretenimento e reflexão sobre o ser humano. Das 27 estreias da companhia, explicou, esta é apenas a segunda comédia em que se propuseram a rir mais abertamente do cotidiano.
Sobre a natureza da comédia, o diretor fez uma distinção técnica importante: o riso em cena precisa ser motivado pela personagem e não por intimidades entre colegas de trabalho. “Se eu estou rindo da sua intimidade, o público não entende — virou piada interna”, explicou. A repetição necessária nos ensaios é outro desafio: criar uma gag que se repita com a sensação de novidade a cada apresentação.
O teatro, acrescentou Pazo, tem um papel único como experiência humana — algo que, na visão dele, a tecnologia e as redes sociais não substituem. Citou, em tom de alerta, observações sobre a crescente artificialidade de imagens nas plataformas digitais e a necessidade de valorizar o encontro presencial entre ator e plateia.
Apresentações em Ribeirão Preto
De perto ninguém é normal será apresentado em Ribeirão Preto nos dias 12, 13 e 14 e nos dias 19, 20 e 21, com sessões às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 19h. Os ingressos são gratuitos, mas precisam ser reservados por meio do aplicativo indicado pela organização, que também permite marcar o lugar.
Entre risos e reflexões, a temporada promete reforçar a aposta da companhia em aproximar o teatro de novos públicos e em mostrar que, mesmo em comédias, o palco continua sendo um espaço de encontro e de maneira singular de contar histórias.



