Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 12,75% para 13,25% ao ano. Este aumento de meio ponto percentual marca a quinta elevação consecutiva, colocando a Selic no patamar mais alto desde o início de 2009. O ajuste, segundo analistas, visa conter a inflação em um cenário de preços relativos voláteis.
Impacto no Cotidiano dos Brasileiros
O aumento da Selic reflete em diversos aspectos da vida econômica. O mercado de trabalho já demonstra sinais de desaceleração, com redução no ritmo de criação de empregos e diminuição dos salários nominais e reais. A inflação elevada, combinada com o ajuste fiscal em discussão no Congresso Nacional, agrava o cenário. A decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros busca conter a contaminação dos preços administrados (como dólar, gasolina, energia elétrica, transportes e água) nos demais bens e serviços da economia.
A Lógica por Trás da Decisão
A estratégia do Banco Central é desestimular o repasse dos aumentos de preços para outros produtos, buscando uma convergência da expectativa de inflação para próximo do centro da meta, que é de 4,5% no próximo ano. Acredita-se que, embora o ajuste seja doloroso, ele poderá ser mais rápido, justificando a magnitude da elevação da taxa de juros. A expectativa é que o patamar atual de 13,25% seja suficiente para conter a inflação, especialmente se o ajuste fiscal avançar e a economia brasileira apresentar sinais de melhora.
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Cenário Internacional e a Política Monetária Americana
Enquanto o Brasil eleva juros, nos Estados Unidos, a recuperação econômica, embora presente na geração de empregos e vendas, mostra um ritmo mais lento do que o esperado. O PIB do primeiro trimestre surpreendeu negativamente, levando o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, a manter a taxa de juros inalterada, entre 0 e 0,25% ao ano. Essa postura beneficia o Brasil, pois a liquidez global com juros baixos facilita o ajuste interno, tornando-o menos penoso, uma vez que o país necessita de capital e está em processo de ajuste.
O cenário delineado sugere um esforço concentrado para estabilizar a economia brasileira em meio a desafios internos e um contexto global que, apesar de suas particularidades, oferece algum alívio.