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O debate sobre o decreto presidencial que facilita o acesso a armas de fogo no Brasil gerou controvérsias e opiniões divergentes entre especialistas. Para entender melhor o assunto, a CBN Ribeirão e Araraquara entrevistaram Aristides Market Filho (Observatório da Violência), Major Marco Aurélio Grit (Polícia Militar) e Gustavo Gasparoto (advogado).
Acesso a Armas e seus Impactos
Aristides defendeu o acesso irrestrito a armas, argumentando que é um direito constitucional e que a proibição não diminuiu os índices de criminalidade. Ele apresentou dados mostrando um aumento significativo de homicídios desde a implementação do Estatuto do Desarmamento, apesar do crescimento populacional não ter sido proporcional. O especialista apontou que a proibição de armas impacta o mercado e limita o direito do cidadão à autodefesa, principalmente em áreas rurais com menor acesso a serviços de segurança.
Visão da Polícia Militar e o Decreto Presidencial
O Major Grit, embora a Polícia Militar deva cumprir a lei, expressou sua opinião pessoal contrária ao porte de armas, exceto para forças de segurança. Ele explicou que o decreto trata da posse, e não do porte de armas, e que o conceito de “efetiva necessidade” foi melhor especificado, tornando o processo mais objetivo. Contudo, o Major também destacou a ineficácia do Estatuto do Desarmamento em desarmar criminosos e o desequilíbrio criado entre cidadãos armados e desarmados, principalmente nas áreas rurais.
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Análise Jurídica e Questionamentos Constitucionais
O advogado Gustavo Gasparoto analisou as críticas ao decreto, incluindo a manifestação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão questionando sua constitucionalidade. Ele explicou que o decreto presidencial só pode regulamentar leis existentes e que, nesse caso, houve alteração na lei, o que é inconstitucional. Outra crítica se refere à presunção de veracidade das declarações dos requerentes, retirando do Estado o poder de fiscalização. Gasparoto também comparou a situação atual com o passado, quando a aquisição de armas era mais simples, e os índices de homicídios eram muito menores. Ele questionou se a proibição de armas é a real causa do aumento da violência ou se outros fatores, como questões sociais e econômicas, contribuem significativamente para o problema.
Em resumo, o debate sobre o acesso a armas envolve diferentes perspectivas e levanta questionamentos sobre a eficácia das leis de controle de armas, a segurança pública e os direitos do cidadão. A complexidade do problema exige uma análise abrangente que considere diversos fatores além da simples posse de armas.



