Paulo Roberto de Abreu disse que era ameaçado por integrantes da prefeitura
Desde sexta-feira, novos acordos de delação premiada no âmbito da Operação Sevandija, em Ribeirão Preto, trouxeram desdobramentos importantes para as investigações, inclusive novas denúncias. O caso ganhou força com depoimentos que detalham o funcionamento de um esquema de corrupção na Codep (Companhia de Desenvolvimento de Ribeirão Preto).
Funcionários fantasmas e falta de controle
Segundo delação de Paulo Roberto de Abril, sócio do empresário Marcelo Plastino, havia falta de controle sobre mais de 700 funcionários da Codep. Ao tentar fiscalizar, Abril relatou ter sofrido ameaças de um secretário da então prefeita Darci Vera. A delação aponta para a indicação de cabos eleitorais para vagas em secretarias, sem fiscalização se de fato trabalhavam, configurando a suspeita de funcionários fantasmas. A falta de controle se dava tanto pela Codep quanto pela empresa Atmosfera, contratada para gestão de pessoal.
Ameaças e desvio de função
Abril relatou ter sido intimidado por Lair Luquesi, chefe da Casa Civil e amigo da ex-prefeita Darci Vera, ao fiscalizar o setor de comunicação da prefeitura. Luquesi teria dito: “Você não sabe com quem está mexendo, continue o que está fazendo e vai ver o que acontece”. Além disso, a delação indica desvio de função, com contratados por indicação política atuando em setores diferentes dos inicialmente designados.
Leia também
Peso das declarações e investigações em curso
O advogado Luís Algenio Escarpino Jr. afirma que a delação contribui para as investigações, mas ressalta a necessidade de corroborar as informações com outros elementos. A palavra de um delator, que também é réu, precisa ser comprovada por outras provas, como e-mails, ligações telefônicas ou testemunhas. O Ministério Público busca investigar a existência de “funcionários fantasmas”, pessoas que recebiam salários sem trabalhar. Darci Vera e Lair Luquesi negam envolvimento no esquema. As investigações seguem em andamento, com a expectativa de conclusão após o término da coleta de testemunhos, oitiva de réus e possíveis perícias complementares.



