Diretor do Deinter 3, João Osinski Júnior conversou com a CBN Ribeirão
As investigações de crimes contra bancos frequentemente esbarram no sigilo bancário, dificultando o trabalho da polícia. A necessidade de autorizações para acessar informações, até mesmo imagens de câmeras de segurança, impede uma resposta rápida e eficaz após explosões de caixas eletrônicos.
O Desafio do Sigilo Bancário e a Segurança Patrimonial
A quantia exata roubada em explosões de caixas eletrônicos permanece um mistério, dependendo de uma série de procedimentos internos do banco. As instituições financeiras, ao reportarem os danos, incluem não apenas o dinheiro em espécie, mas também os prejuízos materiais causados aos equipamentos, inclusive depósitos. A questão central não é a facilitação, mas sim a necessidade de uma postura mais proativa dos bancos na proteção de seu patrimônio.
Assim como os cidadãos protegem suas casas com alarmes, cercas elétricas e seguros, os bancos, enquanto pessoas jurídicas, devem investir em segurança. É inaceitável que, em pleno século XXI, câmeras de baixa resolução dificultem a identificação de criminosos e a falta de vigilância transforme os bancos em vitrines para a criminalidade.
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Compartilhando a Responsabilidade pela Segurança Pública
A segurança pública é uma responsabilidade compartilhada. A população, alarmada com a violência e os riscos das explosões, espera uma contrapartida efetiva dos bancos. A polícia tem instaurado inquéritos para investigar o abastecimento dos caixas eletrônicos, buscando informações sobre as empresas responsáveis, os valores depositados e a movimentação financeira dos equipamentos. No entanto, a obtenção dessas informações é dificultada pelo sigilo bancário.
A Lógica Econômica por Trás dos Crimes e a Atuação Policial
Os bancos, muitas vezes, terceirizam o serviço de abastecimento dos caixas eletrônicos e, devido a taxas fixas, preferem manter valores elevados nos equipamentos. Essa lógica econômica, em vez de uma preocupação com a segurança, acaba incentivando a ação dos criminosos. A Polícia Civil tem atuado com inteligência, apreendendo armas e prendendo integrantes de quadrilhas, mas a Polícia Militar também tem sido alvo de ataques, com policiais perdendo a vida na defesa do patrimônio e da sociedade.
Para o criminoso, explodir caixas eletrônicos é um trabalho. Mesmo com prisões e baixas nas quadrilhas, novos membros são recrutados para dar continuidade aos crimes. A polícia tem prendido líderes de quadrilhas e responsáveis pelo furto de explosivos, mas é preciso dificultar a ação dos criminosos. A redução dos valores disponíveis nos caixas eletrônicos pode tornar o crime menos atrativo, inviabilizando a ação de grandes grupos e direcionando os criminosos para outras atividades.
Em resumo, a diminuição dos valores nos caixas eletrônicos é uma medida crucial para desestimular a criminalidade, tornando o risco e o custo da ação maiores do que o potencial ganho.



