Ouça o quadro ‘A Cidade há 100 anos’, com Rosana Zaidan
A história de Antério de Miranda, que acumulava as funções de delegado de polícia e major da PM em Ribeirão Preto, revela uma faceta curiosa da sociedade da época. Sua principal missão? Acabar com a ociosidade na cidade.
A Perseguição aos “Vagabundos”
Naquela época, o termo “vagabundo” era usado para descrever aqueles que passavam o tempo nas portas dos bares e calçadas, sem aparentemente exercerem qualquer atividade produtiva. O major Antério de Miranda, no exercício de suas funções como delegado, iniciou uma rigorosa perseguição a essas pessoas, de ambos os sexos. Os jornais locais noticiavam as prisões da “mais fina flor dessa classe desclassificada”, mostrando que a ociosidade não era bem vista.
O Trabalho como Redenção
A ociosidade não era tolerada, e o conceito de “ócio criativo”, valorizado nos dias de hoje, era inexistente. No entanto, a história ganha um contorno interessante quando descobrimos o destino dos “vagabundos” presos: eles eram colocados para trabalhar na confecção de coroas para finados. Essas coroas eram expostas na cadeia local, e os moradores de Ribeirão Preto que desejavam homenagear seus entes queridos falecidos podiam comprá-las, ajudando os presos a obterem uma renda extra pelo seu trabalho.
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Essa curiosa prática unia o útil ao agradável: a população tinha acesso a coroas para homenagear seus mortos, e os presos tinham a oportunidade de trabalhar e obter uma renda, demonstrando que estavam dispostos a “fazer por merecer”. A iniciativa do major Antério de Miranda, mesmo que controversa aos olhos de hoje, revela uma visão da época sobre trabalho, ociosidade e a importância da labuta para a sociedade.
Essa história, resgatada do passado, nos oferece um olhar sobre os valores e costumes de Ribeirão Preto há um século.



