Reclamação é, principalmente, sobre a falta de planejamento, que prejudica o movimento das lojas; obras devem ir até maio
Comerciantes da Barão do Amazonas, no centro de Ribeirão Preto, afirmam temer que o trecho se transforme em uma nova Nove de Julho após o início das obras para implantar um corredor de ônibus. A intervenção, que já deixa trechos interditados e muita terra na via, tem provocado queda no movimento e forçado lojistas a buscar alternativas para não fechar as portas.
Interdição e impacto imediato
Segundo relatos de quem trabalha na região, o bloqueio de um trecho entre as ruas América Brasileense e São Sebastião deixou o acesso prejudicado. As tampas das sarjetas e as manilhas foram retiradas, e o trecho permanece interditado, espalhando pó e entulho pela via. Júlia da Cruz Lemos, dona de uma loja de roupas de festa, diz que as obras começaram numa quinta-feira e que, já na sexta, os funcionários deixaram de comparecer ao trabalho. ‘Poderia ter começado na segunda. Teríamos ganhado mais quatro dias de venda. Felizmente hoje em dia cada dia conta’, lamenta.
Críticas ao planejamento e retrabalho
Comerciantes ouvidos pela reportagem cobram mais agilidade e apontam falta de planejamento nas obras. Sidney Novo, comerciante local, lembra que o Daep já havia executado serviços na quadra, mas atrásra é necessário passar a rede de esgoto e, por falta de manilhas, o trabalho teve de ser paralisado até que peças fossem emprestadas. ‘O que acontece muito é o retrabalho. Isso prejudica a gente muito’, afirma.
Além do prejuízo comercial, moradores também sofrem com o cenário: há relatos de idosos, alguns com mais de 90 anos, que enfrentam dificuldade de mobilidade e transtornos diários durante a intervenção.
Criatividade para manter clientes
Enquanto aguardam o avanço das obras, alguns comerciantes buscam alternativas. Uma gerente de loja comenta que a aposta tem sido o uso das redes sociais e do bom humor para manter clientes atentos às promoções e ao funcionamento. ‘Não adianta só reclamar. A gente tem que passar por isso, viver esse momento e torcer para acabar logo. Fazemos vídeos meio doidos, tentamos trazer o cliente para o nosso lado’, diz ela.
A Prefeitura de Ribeirão Preto informou por meio de nota que o corredor central deve ficar pronto até maio. Segundo a Secretaria de Obras, o período de interdição de cada trecho varia de 5 a 20 dias e os locais são divulgados com antecedência no site ribeiraopreto.sp.gov.br. Enquanto a intervenção não termina, os lojistas esperam a retomada do fluxo e a normalização das vendas.



