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Dengue e infecção respiratória ao mesmo tempo, é possível?

Quem traz os detalhes sobre estas complicações é o pesquisador da Fiocruz Rodrigo Stabeli na coluna 'Com Ciência'
Dengue e infecção respiratória ao mesmo
Quem traz os detalhes sobre estas complicações é o pesquisador da Fiocruz Rodrigo Stabeli na coluna 'Com Ciência'

Quem traz os detalhes sobre estas complicações é o pesquisador da Fiocruz Rodrigo Stabeli na coluna ‘Com Ciência’

O aumento simultâneo de casos de dengue, covid-19 e outras infecções respiratórias tem acendido alertas entre especialistas e serviços de saúde. Em entrevista, Rodrigo Stabel, pesquisador titular da Fiocruz, destacou que a sobreposição dessas doenças está pressionando o atendimento e exige atenção redobrada da população e dos profissionais.

Aumento de casos e subnotificação

Dados de vigilância apontam crescimento significativo nos atendimentos por doenças respiratórias e por dengue nas últimas semanas. Segundo Stabel, os casos suspeitos e confirmados de dengue chegaram a triplicar entre dezembro e fevereiro em algumas localidades. Ao mesmo tempo, a circulação intensa de covid-19 tem sido subestimada devido à ampla utilização de testes rápidos domiciliares, cuja realização em casa costuma zerar a notificação oficial.

Coinfecção: risco e diagnóstico

É possível, explica o pesquisador, contrair dengue e uma infecção respiratória ao mesmo tempo. Trata-se de vírus diferentes com vias de transmissão distintas — respiratória para covid e influenza; vetorial, pelo mosquito Aedes aegypti, para dengue — mas a coinfecção pode agravar o quadro. Estudos da Fiocruz sugerem que pacientes com infecção dupla podem apresentar quadros até quatro vezes mais graves, aumentando a probabilidade de internação.

Os sintomas iniciais podem ser parecidos, o que dificulta o diagnóstico sem exames. Stabel observa que a dengue costuma provocar uma “febre seca”, em geral sem coriza, característica mais típica de vírus respiratórios, mas ressalta que apenas avaliação médica e testes conseguem diferenciar corretamente as causas.

Cuidados, tratamento e prevenção

O pesquisador reforça a importância de buscar atendimento médico diante de febre persistente ou prostração. O tratamento difere: para covid-19 e influenza existem antivirais que devem ser administrados na janela correta; para dengue, não há antiviral específico e a hidratação adequada é essencial para reduzir complicações. Stabel também alerta contra a automedicação, que pode agravar o quadro — especialmente no caso da dengue, em que alguns medicamentos são contraindicados.

Em resposta ao cenário de circulação viral, o Ministério da Saúde antecipou a campanha de vacinação contra a influenza. A prevenção coletiva contra a dengue, por sua vez, continua a depender do controle do mosquito Aedes aegypti e de medidas de proteção individual.

Diante da circulação simultânea de vírus respiratórios e da dengue, especialistas recomendam atenção aos sintomas, testagem orientada por profissionais e procura por assistência médica quando necessário, para reduzir riscos e evitar agravamento dos casos.

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