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Depois de 21 anos eu durmo hoje, desabafa mãe que teve o filho assassinado, em 2003

Ex-policial Ricardo José Guimarães foi condenado a 30 anos de prisão pela morte de Thiago Xavier Stefani
Depois de 21 anos eu durmo
Ex-policial Ricardo José Guimarães foi condenado a 30 anos de prisão pela morte de Thiago Xavier Stefani

Ex-policial Ricardo José Guimarães foi condenado a 30 anos de prisão pela morte de Thiago Xavier Stefani

O ex-policial civil Ricardo José Guimarães, Depois de 21 anos eu durmo hoje, desabafa mãe que teve o filho assassinado, em 2003, apontado como chefe de um grupo de extermínio que atuava em Ribeirão Preto, foi condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato de um jovem em 2003. Com essa nova sentença, a pena total de Guimarães chega a 274 anos de reclusão por nove homicídios.

A condenação foi anunciada após 13 horas de julgamento na segunda-feira (data não divulgada) em Ribeirão Preto. Além de Guimarães, Thiago Ferreira da Silva Moreira, apontado como autor dos disparos que mataram Thiago Xavier, foi condenado a 25 anos de prisão. A dupla deverá cumprir as penas imediatamente, com Guimarães retornando ao presídio de Tremembé e Moreira, que está internado sob alegação de ter esquizofrenia paranoide, devendo ser preso.

Detalhes do crime e motivação: Segundo o Ministério Público, Thiago Xavier foi morto a tiros em frente à sua casa no Jardim Independência. A motivação do crime teria sido ciúmes, já que a vítima havia namorado uma mulher que teria contato com Guimarães. O ex-policial teria encomendado o assassinato a Moreira e plantado drogas e armas na casa de Thiago Xavier para incriminá-lo.

Após 21 anos do crime, Maria Parecida Xavier, mãe da vítima, afirmou que finalmente poderá dormir tranquila. Em entrevista, ela disse:

“Eu acho que hoje eu vou dormir. Eu acho que depois de 21 anos eu durmo hoje. Hoje não vou precisar de chá, que as minhas amizades me dão de nada. Hoje eu vou conseguir dormir. Se Deus quiser.”

Reações à condenação: Eugênio Malavasi, assistente de acusação do caso, considerou a pena dada a Guimarães e Moreira, que soma 55 anos, aceitável. Ele explicou que o artigo 59 do Código Penal estabelece critérios para a dosagem da pena, e que a sentença foi razoável à luz da vida pregressa dos réus.

Por outro lado, a defesa de Guimarães manifestou insatisfação com a condenação. Antônio Carlos de Oliveira, advogado do ex-policial, afirmou que a decisão judicial não condiz com as provas apresentadas durante o processo, alegando que não havia elementos mínimos para responsabilizar Guimarães pelo homicídio. A defesa já interpôs recurso de apelação, cujas razões serão apresentadas oportunamente no tribunal.

Contexto histórico e investigação: O promotor de justiça aposentado Luiz Henrique Pacini acompanhou o início da investigação que identificou o grupo de extermínio do qual Guimarães fazia parte. Ele destacou que o período entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 marcou uma época violenta em Ribeirão Preto, com uma média anual de 220 homicídios entre 1994 e 2002. Desde 2003, essa média caiu para menos de 40 homicídios por ano.

Pacini relatou que a investigação começou após um funcionário seu ter sido vítima de um adolescente que, em seguida, matou um ex-policial militar. Isso levou à suspeita de que policiais estivessem envolvidos em execuções extrajudiciais. A partir daí, foram selecionados alguns casos para investigação, resultando em processos e condenações, incluindo as de Guimarães e Moreira.

O promotor aposentado também afirmou que outros integrantes desses grupos de extermínio podem ter cometido homicídios que não se tornaram processos judiciais, incluindo vítimas que possivelmente não tinham relação com crimes anteriores.

Funcionamento dos grupos de extermínio

Pacini explicou que grupos de extermínio geralmente começam com a justificativa de “limpeza” social, mas com o tempo passam a agir motivados por interesses pessoais, como vinganças. No caso de Guimarães, o assassinato teria sido motivado por ciúmes relacionados a um relacionamento amoroso envolvendo uma mulher ligada ao ex-policial e a um investigador.

O promotor destacou a complexidade e a gravidade das ações desses grupos, que atuavam na região e causaram grande impacto na segurança pública local.

Informações adicionais

Ricardo José Guimarães acumula mais de 260 anos em condenações por nove assassinatos. A soma das penas não significa que ele cumprirá todo esse tempo preso, pois isso é humanamente impossível. No entanto, ele deverá cumprir um período significativo de reclusão. Thiago Moreira, condenado a 25 anos, está internado sob alegação de esquizofrenia paranoide, e sua situação prisional depende de avaliações médicas e judiciais.

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