Saiba mais sobre o tema com o pediatra Ivan Savioli Ferraz na coluna ‘Filhos e Cia’
A depressão na infância e adolescência é um tema muitas vezes negligenciado, mas que merece atenção. Apesar do mito de que crianças não sofrem de depressão, estudos demonstram sua presença, ainda que com prevalência variável entre 0,4% na infância e até 19% na adolescência, dependendo da população analisada.
Causas da Depressão Infantil e Juvenil
A depressão, em crianças e adolescentes, possui um componente genético significativo. A predisposição genética aumenta consideravelmente o risco caso um familiar próximo tenha histórico de depressão. Além da genética, fatores ambientais, como eventos estressantes e cobranças excessivas, também contribuem para o desenvolvimento do transtorno. É importante ressaltar que a combinação de fatores genéticos e ambientais é crucial para o surgimento da doença, sendo raro que apenas fatores ambientais sejam suficientes.
Sinais e Diagnóstico
O diagnóstico de depressão requer a presença de, pelo menos, um sintoma principal: tristeza persistente por mais de duas semanas ou perda de prazer nas atividades cotidianas. Outros sintomas, como distúrbios do sono e apetite, dificuldade de concentração, culpa excessiva e irritabilidade, também são indicadores. Em crianças, a tristeza pode se manifestar como irritabilidade ou falta de energia. Na adolescência, sintomas podem ser confundidos com comportamentos típicos da fase, como mudanças de humor e isolamento. A queda no rendimento escolar e o uso de substâncias são sinais de alerta. É crucial observar se esses sintomas causam prejuízo significativo na vida do jovem.
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Mudanças importantes, como a entrada em uma nova escola, podem gerar estresse e tristeza em crianças. Embora uma tristeza passageira seja normal, a persistência por mais de duas semanas, associada a prejuízos no rendimento escolar, exige atenção. Dúvidas devem ser esclarecidas com um pediatra, que poderá encaminhar ao psiquiatra infantil caso necessário. É importante lembrar que nem toda tristeza é depressão, mas a depressão precisa de diagnóstico e tratamento adequados.
Tratamento e Prevenção
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar riscos como isolamento social, uso de drogas, abuso de álcool e até mesmo suicídio. O tratamento envolve psicoterapia e, em alguns casos, medicação. A psicoterapia costuma mostrar resultados em três a quatro meses. A família desempenha um papel crucial no apoio emocional e na prevenção de situações de risco, como a remoção de objetos que possam ser usados em atos de autoagressão. A participação familiar no tratamento é essencial, mesmo que outros membros não apresentem o transtorno. Atividades físicas e de lazer também contribuem para a recuperação. A chave é buscar ajuda profissional e abordar o tema sem preconceitos, lembrando que a depressão é uma doença tratável.