Marcelo Pereira de Souza critica o desrespeito com as áreas naturais e lamenta o impacto na fauna e flora com os incêndios
Um grande incêndio atingiu a região de Cravinhos e São Simão, devastando uma extensa área de canaviais e matas. Esse, porém, não foi o único incidente registrado ontem. Em Boticabal, um incêndio em uma aleiteira da Onésspe resultou na morte de três bovinos e ferimentos em outros três, que foram encaminhados a um hospital veterinário. Embora controlado, as causas do incêndio ainda são desconhecidas.
Incêndios em várias regiões
Em Guará, um incêndio na zona rural exigiu o trabalho de mais de 10 caminhões-pipa da usina, da prefeitura e do Corpo de Bombeiros. A fumaça chegou a atingir uma pista que liga a cidade a Parecida do Salto. Felizmente, não houve feridos. Em Santa Rosa de Viterbo, o fogo atingiu canaviais, enquanto em Serra Azul, uma área de mata foi devastada, causando um impacto ambiental significativo. A reserva Jataí, em Luiz Antônio, que havia tido o fogo controlado, sofreu um novo incêndio.
Impacto ambiental e falta de políticas públicas
A Polícia Ambiental ainda está mapeando a extensão total dos danos, mas já se sabe que a área atingida é ainda maior do que os 3 mil hectares inicialmente afetados. O professor Marcelo Marín Pereira de Souza, do Departamento de Biologia da USP de Ribeirão Preto, alerta para o impacto ambiental devastador, que vai além do desconforto causado pela fumaça. Ele destaca a perda da biodiversidade e a destruição de áreas de cerrado, um bioma já bastante ameaçado. O professor aponta a falta de uma verdadeira política ambiental, substituída por uma política econômica disfarçada de verde, que ignora a preservação ambiental em prol do crescimento econômico.
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A necessidade de uma mudança de mentalidade
O professor ressalta a importância de se considerar o desenvolvimento sustentável, que equilibra os aspectos econômicos e sociais com a preservação ambiental. Ele critica a falta de planejamento e políticas públicas para a preservação do meio ambiente, e a ausência de ações efetivas para combater as mudanças climáticas, que resultam em estiagens prolongadas, chuvas catastróficas e eventos climáticos extremos. A solução, segundo ele, não está apenas em lamentar os danos, mas em promover uma mudança de mentalidade e em adotar medidas concretas de preservação ambiental, incluindo a conscientização da população e a implementação de políticas públicas eficazes.



