Em pesquisa, USP detectou presença de hormônio feminino em água tratada para consumo humano
Em entrevista à CBN Ribeirão, especialistas discutiram os perigos do descarte incorreto de medicamentos, um problema global com consequências ambientais e de saúde.
Resíduos de medicamentos na água e no meio ambiente
Uma pesquisa da USP detectou hormônios femininos na água tratada para consumo, mesmo após passar pelas estações de tratamento de esgoto. Isso ocorre devido ao descarte inadequado de medicamentos como anticoncepcionais, que as estações não conseguem eliminar completamente. A contaminação atinge rios, córregos e solo, colocando em risco a saúde humana a longo prazo.
Descarte inadequado e falta de conscientização
O descarte irregular de medicamentos, muitas vezes em vasos sanitários, pias ou lixo comum, contribui para a contaminação. A população frequentemente mantém remédios vencidos em casa, resultando em automedicação e descarte incorreto. A falta de conscientização, somada à escassez de locais credenciados para a coleta de medicamentos, agrava o problema. Em Ribeirão Preto, poucas drogarias oferecem esse serviço, enquanto postos de saúde e a unidade da Farmácia Ensino da USP são exceções.
Soluções e perspectivas
Medicamentos vencidos, exceto psicotrópicos e entorpecentes, são coletados em locais apropriados e tratados por processos químico-térmicos (geralmente incineração). Embora a incineração apresente riscos ambientais, com emissão de gases e cinzas tóxicas, é atualmente a melhor opção, utilizando equipamentos modernos para minimizar danos. A pesquisa da USP, ao identificar hormônios na água tratada, aponta a necessidade de novos tratamentos químicos para garantir a segurança do consumo. Em Ribeirão Preto, a água do Aquífero Guarani não apresenta contaminação, mas a contaminação do solo em aterros sanitários representa um risco a longo prazo.



