Entre a diversidade de psitacídeos que ocorrem no Brasil, alguns se destacam por serem alvo de projetos de conservação
Vanessa Canaã, presidente do Instituto Fauna Brasil, Descobertas amorosas do papagaio, compartilhou detalhes sobre a conservação do papagaio de peito roxo, uma espécie ameaçada que ocorre principalmente no sul do Brasil, incluindo Santa Catarina, além de partes da Argentina e Paraguai. Ela explicou que o papagaio é bastante visado pelo tráfico ilegal, especialmente em Santa Catarina, onde é uma espécie nativa e de fácil acesso.
Perfil dos animais resgatados
Vanessa destacou que, no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de Santa Catarina, Descobertas amorosas do papagaio, cerca de 90% dos animais recebidos são vítimas do tráfico. Diferentemente de outros estados, a maioria dos papagaios apreendidos são adultos, geralmente resgatados pela polícia ou entregues voluntariamente por pessoas que mantinham os animais ilegalmente.
Descentralização do atendimento: O CETAS localizado em Florianópolis atende o estado inteiro, mas, devido à necessidade de resgates rápidos, houve uma descentralização do atendimento com apoio de clínicas veterinárias e universidades em outras regiões de Santa Catarina, facilitando o cuidado e reabilitação dos animais.
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Projeto pioneiro de soltura: Vanessa iniciou um projeto pioneiro de soltura para o papagaio de peito roxo em 2010, após perceber que esses animais permaneciam em cativeiro nos CETAS sem participar de programas de soltura ou educação ambiental. O projeto foi o primeiro do tipo aprovado pelo Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO) em uma unidade de conservação, o Parque Nacional das Araucárias, onde os papagaios são reintroduzidos em seu habitat natural.
Características e ameaças da espécie: O papagaio de peito roxo é conhecido por sua capacidade de imitar a voz humana, embora menos que o papagaio verdadeiro, espécie mais traficada no Brasil. A principal ameaça à espécie é a perda de habitat, especialmente das florestas de araucária, que atualmente representam apenas cerca de 1% a 3% da cobertura original na Mata Atlântica. A combinação da retirada ilegal e da baixa taxa de reprodução coloca a espécie em estado de ameaça reconhecido nacionalmente e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Informações adicionais
As solturas dos papagaios são feitas em bandos, após avaliação criteriosa dos aspectos genéticos, sanitários e comportamentais dos animais, garantindo que eles possam se relacionar socialmente e sobreviver na natureza. O projeto já realizou solturas durante 14 anos, com algumas pausas por falta de recursos ou autorização, e está aguardando nova autorização para retomar as solturas ainda este ano.



