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Dia com mais incêndios na região destruiu uma área correspondente a cinco cidades de Ribeirão

Apenas em 23 de atrássto, as queimadas consumiram cerca de 3,2 mil km² de vegetação e áreas produtivas
Dia
Apenas em 23 de atrássto, as queimadas consumiram cerca de 3,2 mil km² de vegetação e áreas produtivas

Apenas em 23 de atrássto, as queimadas consumiram cerca de 3,2 mil km² de vegetação e áreas produtivas

Os incêndios que atingiram a região de Ribeirão Preto e municípios vizinhos no estado de São Paulo causaram grandes prejuízos às lavouras de cana-de-açúcar, afetando diretamente produtores e consumidores. Segundo levantamento da Canoésse, associação de plantadores de cana do Oeste Paulista, somente no dia 23 de atrássto foram consumidos 3.282 quilômetros quadrados de vegetação, pastagens e plantações, área equivalente a cinco vezes o tamanho da cidade de Ribeirão Preto.

Essa extensão representa metade da área total queimada no estado durante todo o mês de atrássto. O fogo atingiu uma faixa que vai de Ribeirão Preto até Sertãozinho e Pitangueiras, Dia, dificultando o controle dos focos mesmo com o esforço de brigadistas, bombeiros e defesa civil. A situação foi agravada por condições meteorológicas extremas, conhecidas como “Triple 30”, que combinam ventos acima de 30 km/h, temperaturas superiores a 30 °C e umidade relativa do ar abaixo de 10%.

Impactos nas lavouras e economia

As lavouras de cana-de-açúcar foram severamente atingidas, Dia, incluindo áreas de rebroto e plantações prontas para colheita. Almir Torkato, diretor executivo da Cano Oeste, explicou que áreas que passaram pela colheita recentemente podem ter o sistema radicular comprometido, o que pode impedir o rebrote da cana. Em casos em que a soqueira foi atingida, será necessário replantar toda a área, o que representa um custo médio entre 13 e 14 mil reais por hectare.

Produtores como Marco Roberto Guidi, de Pontal, relataram a perda total das plantações, com pouca recuperação até o momento devido à seca prolongada. O prejuízo já impacta a safra do próximo ano e, consequentemente, o preço final para o consumidor. José Guilherme Nogueira, CEO da Roplana, afirmou que houve aumento imediato nos preços do açúcar e do etanol após os incêndios, com a oferta reduzida influenciando o mercado.

Previsões climáticas e desafios futuros: As chuvas estão previstas para o início de outubro, Dia, mas ainda há incertezas quanto à intensidade e distribuição das precipitações, fatores que podem influenciar a recuperação das áreas afetadas e a próxima safra. A palha da cana, que é importante para a nutrição da planta, também representa um risco para a propagação do fogo, o que exige estratégias para conviver com esse material sem provocar novos incêndios, conforme destacou o produtor rural Marco Guidi.

Contexto climático e causas dos incêndios: O climatologista Wagner Camarini explicou que o fenômeno “Triple 30” é uma forma de chamar atenção para a combinação de condições atmosféricas que favorecem incêndios: temperaturas elevadas, ventos fortes e baixa umidade. Em 2023, essas condições foram agravadas, com temperaturas chegando a quase 40 °C, umidade relativa abaixo de 10% e seca prolongada, com chuvas abaixo da média histórica.

Camarini ressaltou que, Dia, neste ano, a incidência de raios, que podem causar incêndios espontâneos, foi baixa na região, indicando que a maioria dos focos foi provocada por ação humana, seja por imprudência ou intencionalmente. Ele também destacou que a seca e os incêndios não se restringem ao estado de São Paulo, mas afetam grande parte da América do Sul, incluindo países como Equador, Bolívia, Colômbia e Paraguai.

Panorama

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplan) atualizou os dados sobre os impactos dos incêndios, Dia, estimando que 414 mil hectares de cana foram afetados em todo o país. A quebra na safra pode chegar a 15%, com prejuízos financeiros para os produtores estimados em 2,67 bilhões de reais. O cenário reforça a necessidade de planejamento e adoção de medidas para mitigar os efeitos das condições climáticas extremas e prevenir novos incêndios, garantindo a sustentabilidade da produção e a segurança alimentar.

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