Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
Um levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo revela uma preocupante falta de conscientização sobre os riscos do cigarro entre pacientes fumantes diagnosticados com câncer. Surpreendentemente, cerca de dois terços desses pacientes continuam a fumar mesmo após o diagnóstico e durante o tratamento. Este dado alarmante surge no Dia Nacional de Combate ao Tabagismo, levantando questões cruciais sobre a dependência e os desafios enfrentados por esses indivíduos.
A Dependência como Fator Crucial
O pneumologista Frederico Fernandes destaca que fumar não é meramente um hábito ou uma escolha, mas sim um vício complexo. Pacientes diagnosticados com câncer frequentemente enfrentam dificuldades significativas para abandonar o cigarro, mesmo reconhecendo os riscos. A dependência da nicotina, muitas vezes utilizada para aliviar sintomas de ansiedade, depressão e outras questões psicológicas associadas ao diagnóstico, torna o processo ainda mais desafiador.
Tipos de Câncer Agravados pelo Tabagismo
Embora o câncer de pulmão seja frequentemente associado ao tabagismo, Fernandes alerta que outros tipos de câncer também estão diretamente relacionados ao hábito de fumar. Entre eles, destacam-se os cânceres de língua, boca, cabeça e pescoço, estômago, esôfago, rim, bexiga e até mesmo alguns tipos de leucemia. O cigarro agrava o desenvolvimento e a progressão dessas doenças, reforçando a necessidade urgente de cessação do tabagismo.
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Impacto no Tratamento e Alternativas Perigosas
O tabagismo interfere negativamente no tratamento do câncer, comprometendo a eficácia de cirurgias, quimioterapia e aumentando o risco de infecções respiratórias. Fernandes enfatiza a importância da conscientização sobre esses impactos para motivar os pacientes a abandonar o vício. Além disso, ele alerta sobre o uso de cigarros eletrônicos como alternativa, ressaltando que são proibidos no Brasil e podem conter substâncias ainda mais tóxicas do que o cigarro convencional.
Riscos para Fumantes Passivos
Os riscos do tabagismo não se limitam aos fumantes ativos. Fumantes passivos, que convivem com fumantes em casa ou no trabalho, também estão expostos a perigos significativos. O risco de desenvolver câncer de pulmão aumenta em 25% e o de doenças cardíacas relacionadas ao cigarro, em até 35%. Essa informação reforça a importância de proteger não apenas a própria saúde, mas também a daqueles que estão ao redor.
O enfrentamento do tabagismo em pacientes com câncer exige uma abordagem multifacetada, que inclua apoio psicológico, tratamento medicamentoso e conscientização sobre os riscos. A cessação do tabagismo, mesmo após o diagnóstico, traz benefícios significativos para a saúde e o sucesso do tratamento.



