O preço do diesel registrou aumento acumulado superior a R$ 1 por litro em cerca de dez dias em Ribeirão Preto. A alta foi repassada pelas distribuidoras aos postos e já começa a chegar ao consumidor nas bombas.
Segundo o Núcleo de Postos da cidade, a gasolina também apresentou aumento recente, com reajuste superior a R$ 0,50 por litro. O cenário ainda é considerado de incerteza e pode provocar novos impactos nos próximos dias.
Alta recente
De acordo com o diretor do Núcleo de Postos, Fernando Roca, os postos começaram a pagar mais caro pelos combustíveis desde a semana passada, após os reajustes aplicados pelas distribuidoras. Os efeitos nas bombas tendem a aparecer gradualmente conforme os estoques antigos são substituídos por combustíveis adquiridos com preços mais altos. Roca explica que, embora não haja falta de diesel nos postos, existe um racionamento no fornecimento às distribuidoras.
Segundo o setor, o aumento está ligado ao cenário internacional e à defasagem entre o preço praticado no Brasil e o valor do combustível no mercado externo. Um indicador citado pelo Núcleo de Postos aponta que o diesel no país está cerca de R$ 2,75 por litro abaixo do preço internacional, enquanto a gasolina apresenta defasagem de aproximadamente R$ 1,47.
Esse cenário gera pressão de investidores por reajustes, ao mesmo tempo em que o governo tenta evitar impactos maiores na inflação.
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Efeito em cadeia
O aumento do diesel também pode afetar outros setores da economia, principalmente o transporte e o agronegócio. No Brasil, cerca de 99% do transporte rodoviário utilizam esse combustível. Segundo o setor, o diesel é utilizado desde a produção agrícola até o transporte de combustíveis e mercadorias.
Outro reflexo pode aparecer no mercado de etanol. Durante o período de entressafra da cana-de-açúcar, o aumento da gasolina tende a estimular motoristas de veículos flex a migrarem para o etanol. Esse movimento já pressiona o preço do biocombustível, que registrou aumento médio de cerca de R$ 0,10 por litro para conter a demanda.
Segundo o Núcleo de Postos, atualmente etanol e gasolina apresentam rendimento semelhante na chamada paridade de preços, o que permite ao motorista optar por qualquer um dos combustíveis sem diferença significativa no consumo.



