Associação Médica Brasileira moveu ação contra autorização da fabricação e venda da ‘pílula do câncer’
A recente autorização para o uso da fosfoetanolamina sintética, popularmente conhecida como ‘pílula do câncer’, reacendeu o debate sobre a eficácia e a segurança da substância. A lei que permite o uso foi sancionada pela presidência, mas enfrenta questionamentos e diferentes perspectivas.
O Questionamento da Eficácia e Segurança
A liberação da fosfoetanolamina gerou controvérsia, com a Associação Médica Brasileira (AMB) questionando a medida através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo Tribunal Federal (STF). A AMB argumenta que a lei permite o uso da substância sem a devida comprovação de sua segurança e eficácia, levantando preocupações sobre os riscos aos pacientes. O ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, solicitou explicações da Presidência da República sobre a lei, dando um prazo de cinco dias para a resposta.
A Esperança de Pacientes e Familiares
Enquanto a comunidade médica expressa cautela, pacientes como o comerciante José Valentim depositam esperanças na fosfoetanolamina. Diagnosticado com câncer na bexiga em 2012, Valentim relata melhora expressiva após utilizar a substância por dois anos, obtendo-a na USP. Diante da falta do composto, ele se diz preocupado, e demonstra disposição em assinar um termo de responsabilidade para continuar o tratamento, conforme previsto na lei.
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Desafios na Implementação e Distribuição
Apesar da autorização legal, a implementação enfrenta obstáculos. Domingo Fernandes, encarregado de obras, busca informações para ajudar um amigo com câncer no intestino, mas enfrenta dificuldades em encontrar informações claras sobre como a fosfoetanolamina chegará aos pacientes. A falta de informações precisas dificulta o acesso à substância, gerando frustração entre aqueles que depositam nela suas esperanças.
O Inquérito sobre Curandeirismo
Em meio à discussão sobre a fosfoetanolamina, a Universidade de São Paulo (USP) registrou uma denúncia contra o professor Gilberto Quierí, da Polícia Federal, por curandeirismo em outubro do ano passado. O inquérito foi encaminhado à Polícia Civil de São Carlos e concluído, sem indícios de crime. O caso corre em segredo de justiça e atrásra caberá ao Ministério Público definir os próximos passos.
A situação da fosfoetanolamina permanece complexa, com diferentes opiniões e desafios a serem superados para garantir o acesso seguro e eficaz à substância, caso sua eficácia seja comprovada cientificamente.



