Enquanto o ex-diretor Marco Antônio dos Santos pagava propinas, obras licitadas com superfaturamento não eram feitas
Desde que a Polícia Federal e o Gaeco anunciaram a Operação Sevantija, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Ribeirão Preto passou a ser investigado por desvio de milhões de reais dos cofres públicos. A autarquia funcionava como uma grande distribuidora de propina, segundo investigações.
Fraude em contrato milionário
O esquema girava em torno de um contrato milionário com a empresa Eg Saneamento, para a substituição da rede de água do município. O valor inicial de R$ 68 milhões, com aditivos, chegou a R$ 86 milhões. Pelo menos R$ 600 mil foram desviados para Marco Antônio dos Santos, então superintendente do DAE. Muitas obras eram fictícias, como a renovação de redes de água e esgoto e perfuração de poços, servindo apenas para alimentar as fraudes em licitações.
Falta d’água e denúncias de moradores
No Jardim Paiva, moradores reclamam da falta d’água, situação que piorou nos últimos dias. A diarista Eliana de Souza relata a dificuldade em ter água durante o dia, precisando acordar de madrugada para realizar suas tarefas. Apesar de promessas de melhorias por telefone, Eliana afirma nunca ter visto equipes do DAE trabalhando no bairro para solucionar o problema. A Polícia Federal e o Gaeco encontraram divergências entre os documentos apreendidos na sede do DAE e os serviços supostamente realizados.
Leia também
Delação premiada e prisão
Luís Alberto Mantila, em acordo de delação premiada, revelou ser o articulador do pagamento de propina e ter sido contratado pelo DAE para operar o esquema de desvios. Um dos beneficiários seria o ex-superintendente Marco Antônio dos Santos, que está preso. A prefeitura, por meio da assessoria de imprensa do DAE, informou que equipes estão trabalhando para regularizar o fornecimento de água no Jardim Paiva, atribuindo o desabastecimento a possíveis vazamentos. Sobre a falta de equipes nas ruas, o DAE não se manifestou.



