Provedor Renato Peghin conversou com a CBN Ribeirão
A rádio CBN iniciou uma série de reportagens sobre a saúde pública no Brasil, Diretor da Santa Casa de Barretos pede fiscalização para verbas federais, com foco nas necessidades e desafios para a melhoria do sistema de saúde pública, tema central nas recentes manifestações pelo país. Em entrevista ao programa, Renato Peguinha, provedor da Santa Casa de Misericórdia de Barretos, destacou a situação financeira difícil enfrentada pela instituição e apontou a falta de vontade política como um dos principais obstáculos para avanços na área.
“A esperança que nós temos junto à presidente Dilma Rousseff é que ela olhe com carinho e faça valer os impostos que são recolhidos nesse país, destinando o dinheiro corretamente para a saúde no país”
Segundo Peguinha, apesar das promessas e da atenção dada à saúde em períodos eleitorais, o repasse de recursos é insuficiente. Ele ressaltou que há dinheiro para investimentos em outras áreas, como estádios de futebol, mas não para a saúde pública. Além disso, mencionou a necessidade de maior fiscalização e transparência na aplicação dos recursos públicos.
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O provedor citou ainda a fala do deputado federal Ricardo Isai, que também aponta a falta de vontade política como um problema estrutural para o setor.
Desafios financeiros enfrentados pela Santa Casa de Barretos
Em Barretos, a Santa Casa começou a atender apenas casos de urgência e emergência no pronto-socorro adulto e infantil a partir de 20 de maio, devido à sobrecarga e à falta de recursos financeiros. Essa medida reflete a dificuldade da instituição em manter o atendimento pleno diante da insuficiência de repasses e da crescente demanda.
Para aliviar a pressão sobre o pronto-socorro, Peguinha sugeriu que as unidades básicas de saúde (UBS) ampliem seu horário de funcionamento até as 23 horas, o que poderia contribuir para o atendimento de casos menos graves e evitar a superlotação dos hospitais.
Impacto das manifestações e a necessidade de mobilização social: Sobre as manifestações que vêm ocorrendo em todo o país, o provedor acredita que elas podem gerar mudanças, pois refletem a insatisfação da população com o sistema de saúde, que está sobrecarregado e com longas filas nos pronto-socorros.
“É o momento de deixar de lado siglas partidárias e tratar os hospitais com a mesma seriedade que se trata a Receita Federal, com fiscalização rigorosa”
Renato Peguinha afirmou que a Santa Casa de Barretos está aberta à fiscalização e que o hospital é referência nacional, mas que a falta de recursos compromete a qualidade do atendimento.
“Não adianta pintar a Santa Casa de rosa se não tem dinheiro para pagar as contas”
Ele finalizou colocando-se à disposição da comunidade para esclarecer a situação da Santa Casa e reforçou a importância da mobilização social e do compromisso político para melhorar a saúde pública na região.
Fatores estruturais e propostas para melhoria do sistema de saúde pública
As manifestações pelo Brasil têm colocado a saúde pública como uma das principais reivindicações da população, evidenciando a insatisfação com a qualidade e o acesso aos serviços. Hospitais filantrópicos, como a Santa Casa de Barretos, enfrentam dificuldades para manter o atendimento devido à insuficiência de repasses e à falta de recursos.
A falta de vontade política é apontada como um dos principais entraves para investimentos adequados e para a priorização da área da saúde. Entre as propostas para melhoria estão a ampliação do horário de funcionamento das unidades básicas de saúde, maior fiscalização dos recursos públicos e um compromisso efetivo dos governos federal, estadual e municipal.
Entenda melhor
A Santa Casa de Misericórdia de Barretos é um hospital filantrópico que atende a região e enfrenta desafios financeiros que impactam diretamente na qualidade do atendimento. A mobilização social e a fiscalização são apontadas como caminhos para pressionar por melhorias no sistema de saúde pública.



