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Diretor do Hospital das Clínicas critica contratação de médicos estrangeiros

Superintendente Marcos Felipe de Sá falou à CBN Ribeirão
Contratação de médicos estrangeiros
Superintendente Marcos Felipe de Sá falou à CBN Ribeirão

Superintendente Marcos Felipe de Sá falou à CBN Ribeirão

O superintendente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Contratação de médicos estrangeiros, Dr. Marcos Felipe Silva de Sá, concedeu entrevista na qual abordou a situação da saúde pública na região e criticou medidas recentes anunciadas pelo governo federal para o setor, especialmente a proposta de importação de médicos.

Dr. Marcos destacou que o Brasil possui escolas médicas suficientes para formar profissionais que atendam à demanda nacional. Segundo ele, Contratação de médicos estrangeiros, o problema não reside na quantidade de médicos formados, mas na concentração desses profissionais nos grandes centros urbanos. A ausência de médicos em municípios menores, explicou, está ligada à falta de condições adequadas de trabalho, infraestrutura e segurança para o exercício da profissão.

“O Brasil tem escolas médicas suficientes, ele forma médicos em número suficiente para atender as necessidades do país. Existe algumas falhas em algumas cidades, alguns municípios, mas a questão não é pela falta do profissional.”

“Por que os médicos não vão para os pequenos centros? Porque não há condição de trabalho para ele exercer a profissão. Não basta pagar um salário. Você precisa dar ao médico condições para que ele possa minimamente exercer a profissão sem colocar em risco a vida do paciente que ele atende e sem colocar em risco a sua própria condição de médico.”

Críticas às medidas do governo federal

O superintendente avaliou que as ações anunciadas pelo governo federal foram feitas de forma apressada e sem um plano estruturado. Ele ressaltou que o principal desafio está na atenção básica à saúde, responsabilidade dos municípios, que depende de recursos federais. Segundo Dr. Marcos, os municípios têm investido acima do previsto constitucionalmente, enquanto o governo federal não tem cumprido sua contrapartida financeira.

“Os governos municipais estão investindo muito acima daquilo que foi preconizado pela Constituição, pelas leis. Então, 15% tem prefeituras que estão investindo até 30% na área da saúde. O governo do Estado, constitucionalmente, tem que aplicar mais de 12%. Eles estão aplicando mais do que isso. E o governo federal não está fazendo a contrapartida dele.”

Desafios na gestão hospitalar e financiamento: Sobre a situação dos hospitais na região de Ribeirão Preto, Dr. Marcos afirmou que não há carência de leitos, mas sim dificuldades na manutenção e gestão dessas unidades. Ele enfatizou que a tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) está defasada há mais de uma década, não cobrindo os custos reais dos atendimentos, o que prejudica financeiramente as instituições, especialmente as Santas Casas.

“A tabela SUS não cobre os custos dos procedimentos realizados nos pacientes. Isso é uma premência a todo o movimento de colheita de assinaturas para que seja encaminhado um documento ao governo federal, para que ele coloque 10% dos seus recursos.”

“As Santas Casas do Estado de São Paulo, praticamente todas elas estão quebradas e elas precisam de apoio que poderia vir nessa fase.”

Orçamento federal e burocracia: Dr. Marcos também revelou que o Ministério da Saúde deixou de executar cerca de 17% a 20% do seu orçamento no ano anterior, o que representa mais de 20 bilhões de reais não aplicados devido a entraves burocráticos.

“O governo federal, o Ministério da Saúde, por exemplo, com toda essa carência de recursos, ele não executou 17%, quase 20% do seu orçamento no ano passado. Ou seja, ele deixou de aplicar. Foi dinheiro que se perdeu nas amarras da burocracia e não foram aplicados o que representa mais de 20 bilhões de reais que deveriam ter vindo para a saúde.”

Entenda melhor

A concentração de médicos em grandes centros urbanos é um problema antigo no Brasil, relacionado a fatores como infraestrutura, segurança, remuneração e condições de trabalho. A defasagem da tabela SUS impacta diretamente no financiamento dos hospitais públicos e filantrópicos, dificultando a manutenção dos serviços. Além disso, a execução orçamentária abaixo do previsto pelo Ministério da Saúde agrava a crise, limitando investimentos e melhorias no sistema.

Dr. Marcos Felipe Silva de Sá concluiu destacando a necessidade de um debate aprofundado e de ações estruturadas para fortalecer a saúde pública na região e no país, enfatizando que soluções imediatistas não resolverão os problemas estruturais do setor.

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