Ouça o segundo bloco do programa deste sábado
O programa Almanac CBN debateu o tráfico de drogas na região de Ribeirão Preto, trazendo à tona discussões importantes sobre o tema. Com a participação de especialistas como o Capitão Loureiro da Polícia Militar, Anderson Penteado, coordenador de clínica de recuperação, Sérgio Codato, psicólogo e coordenador do Observatório da Violência da USP, e o repórter João Carlos Borda, o programa abordou diferentes perspectivas e desafios relacionados ao narcotráfico.
A Rota dos Carros Roubados e o Tráfico
Um dos pontos discutidos foi a utilização de carros roubados no esquema do tráfico. Apurações da Polícia Rodoviária Federal indicam que veículos roubados, especialmente os mais potentes, são usados como moeda de troca por drogas no Paraguai ou empregados como “cavalos doidos”. Esses veículos, repletos de maconha, percorrem rotas alucinadas do Paraguai até o interior de São Paulo. A complexidade da rede criminosa se revela na vigilância constante, com batedores e informantes em ônibus, monitorando a presença policial nas estradas.
Pequenos Furtos e a Engrenagem do Tráfico
A discussão também abordou a conexão entre pequenos furtos e o tráfico de drogas. Muitas vezes, roubos de celulares, residências e comércios estão ligados ao financiamento do tráfico. Dependentes químicos recorrem a esses crimes para obter drogas ou quitar dívidas. Embora nem todo carro roubado em São Paulo seja usado no tráfico, uma parcela significativa alimenta desmanches, enquanto outros veículos específicos são empregados em atividades ilícitas.
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O Consumidor e a Lei: Uma Análise Complexa
O programa também abordou a questão do consumo de drogas e a aplicação da lei. A legislação não especifica a quantidade que configura crime de porte, mas o contexto é crucial. A polícia analisa se a pessoa está em local conhecido como ponto de tráfico, portando dinheiro, para determinar se é porte ou tráfico. O comportamento suspeito também é um indicativo, como atitudes nervosas ou informações contraditórias.
A discussão evidenciou a complexidade do problema do tráfico de drogas, que envolve desde a logística do transporte até as questões sociais e de saúde pública. A necessidade de um debate amplo e informado sobre o tema, desvinculado de preconceitos, foi ressaltada como um passo fundamental para a construção de soluções eficazes.



