Muitos trabalhadores rurais se adaptaram às tecnologias e se adequaram ao novo cenário da produção sucroalcooleira
Depois do levante de Guariba na década de 1980, o setor sucroenergético passou por grandes transformações. A força braçal deu lugar a máquinas modernas, e novas tecnologias e profissões surgiram para aumentar a qualidade e produtividade das lavouras de cana-de-açúcar.
Tecnologia de ponta no campo
O agronegócio evoluiu significativamente nas últimas quatro décadas. Hoje, drones, tablets e máquinas de alta tecnologia são parte do cotidiano do setor. Uma startup incubada na Supera, em Ribeirão Preto (SP), destaca-se nesse cenário. Biólogos moleculares, vindos de diferentes regiões do Brasil, trabalham para aumentar a produtividade por meio da análise de micro-organismos presentes no solo e na planta. A cana e a terra são tratadas como pacientes, com coletas de amostras seguindo padrões semelhantes aos da área da saúde. O DNA das bactérias e fungos é analisado, gerando um mapeamento que auxilia os agricultores a tomarem decisões mais eficazes no cultivo.
Inovação na pesquisa e desenvolvimento
O Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto, também desempenha um papel crucial na evolução da cana-de-açúcar. Há mais de 30 anos, pesquisadores desenvolvem novas variedades da planta, mais resistentes ao clima e adaptadas à mecanização da colheita. O foco tem sido em variedades mais altas e ereitas, facilitando o trabalho das máquinas e aumentando a produtividade por hectare. Os laboratórios do IAC utilizam técnicas avançadas, controlando fatores como umidade, iluminação e ar, para garantir o desenvolvimento ideal das mudas. O resultado são variedades com maior número de canas por metro, revolucionando a produtividade das usinas.
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Mudanças no mercado de trabalho
A modernização do setor sucroenergético impactou diretamente o mercado de trabalho. A mecanização reduziu a demanda por cortadores manuais, mas abriu novas oportunidades em áreas como manutenção de máquinas, operação de equipamentos e gestão. O relato de Maciel Martins Galdino, um trabalhador que migrou do corte manual para uma posição de liderança em uma usina, ilustra essa transformação. Ele destaca a melhoria em suas condições de trabalho, com aumento salarial e benefícios como plano de saúde e vale-alimentação. Sua história demonstra a adaptação e a possibilidade de crescimento profissional dentro do setor, oferecendo um futuro promissor para aqueles que buscam qualificação e aperfeiçoamento.



