Ouça o primeiro bloco do programa que foi ao ar neste sábado (08)
Neste sábado, 8 de setembro, a CBN Ribeirão abordou a crucial temática da doação de órgãos em seu programa Almanac. A discussão contou com a participação de especialistas, incluindo o Dr. Orlando de Castro e Silva Junior, professor e coordenador da Unidade de Transplantes de Fígado do HC, e Margarida Momente-quiarete, enfermeira da OPO (Organização de Procura de Órgãos).
Mudanças na Legislação e o Desafio da Doação
Atualmente, a doação de órgãos requer consentimento familiar, até o segundo grau de parentesco. Esta mudança legislativa, embora necessária, trouxe novos desafios. Margarida destacou a dificuldade de abordar famílias em luto, que precisam tomar decisões complexas em um momento de profunda dor. A importância da conversa prévia em família sobre a doação de órgãos foi enfatizada como fundamental para facilitar o processo.
A Corrida Contra o Tempo e a Logística dos Transplantes
A enfermeira Margarida descreveu a corrida contra o tempo na logística dos transplantes. Desde a identificação de um potencial doador até a cirurgia de retirada dos órgãos, cada etapa requer precisão e rapidez. A comunicação eficiente entre profissionais de saúde, a central de transplantes e as famílias é crucial para garantir a qualidade dos órgãos e o sucesso dos transplantes. Solange Alexandre, do Banco de Olhos, destacou a redução do tempo de conservação dos órgãos, exigindo ainda mais agilidade no processo.
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Números, Desafios e Perspectivas Futuras
O Dr. Orlando comemorou os mais de 400 transplantes de fígado realizados em Ribeirão Preto desde 2001, mas ressaltou a necessidade de aumento na doação de órgãos no Brasil. Foram apresentados dados alarmantes: 1200 mortes na fila de espera no primeiro semestre de 2023, e mais de 35 mil pessoas aguardando transplante no país. A complexidade dos transplantes de fígado, bem como as taxas de sobrevida e os desafios relacionados à idade dos doadores e receptores, foram discutidos. A prevenção de doenças como cirrose, causada pelo consumo excessivo de álcool ou infecções virais, foi destacada como fundamental para reduzir a demanda por transplantes. Ações de conscientização, como o Setembro Verde, com palestras, mesas redondas e eventos esportivos, foram apresentadas como iniciativas para incentivar a doação de órgãos.
A discussão evidenciou a necessidade de um trabalho conjunto entre profissionais de saúde, famílias e a sociedade para enfrentar os desafios da doação de órgãos no Brasil, aumentando a conscientização e otimizando os processos para salvar vidas.



