Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A espera por um transplante de órgãos é uma realidade angustiante para milhares de brasileiros. Em São Paulo, a fila por um rim é a mais extensa, com mais de 10 mil pessoas aguardando. Conversamos com Judith dos Santos da Silva, enfermeira da Organização de Procura de Órgãos de Ribeirão Preto, para entender melhor esse cenário.
A Dimensão da Espera
Judith revela que a necessidade não se restringe aos rins. No estado de São Paulo, 14.606 pessoas aguardam por um transplante de coração, fígado, pâncreas, córneas, pulmão e rins. Essa longa espera é marcada pela angústia, onde cada dia representa um dia a menos de vida. A realização do transplante, crucial para a qualidade de vida ou a própria sobrevivência, depende da doação de órgãos.
A Importância da Conscientização e o Processo de Doação
A enfermeira enfatiza a importância da conscientização sobre a doação de órgãos, pois o número de doadores ainda é pequeno, agravado pela recusa familiar. Judith sugere que conversar sobre o assunto em família pode facilitar a decisão em um momento difícil. A falta de conhecimento sobre o processo de doação é um dos principais obstáculos. A equipe da Organização de Procura de Órgãos explica detalhadamente como a doação acontece, desde os testes rigorosos exigidos pelo Conselho Federal de Medicina até a comprovação da morte cerebral por diversos médicos. A idade do doador e a gravidade do receptor também são fatores determinantes. A fila de espera tem um alto índice de mortalidade, pois muitos pacientes não resistem ao tempo de espera.
Leia também
Logística e Desafios
Após a confirmação da doação, a Secretaria da Saúde, através da central de transplantes, disponibiliza transporte para a equipe médica responsável pela retirada do órgão, mesmo que esteja em outra cidade. O processo é sincronizado para minimizar o tempo entre a captação e o transplante. A entrevista familiar e a autorização são etapas cruciais, e a equipe se compromete a cumprir o cronograma para que a família possa realizar o velório. Em Ribeirão Preto, a situação é desafiadora. Estima-se que levariam 20 anos para zerar a fila de espera por fígado, caso não houvesse novos pacientes. A distribuição de órgãos, como o fígado, segue critérios específicos, e a lista de espera continua a crescer devido ao aumento da demanda.
Resultados e Perspectivas
Apesar dos desafios, Ribeirão Preto apresenta resultados positivos. No ano anterior, o Hospital das Clínicas registrou um alto índice de doações efetivas em relação às notificações, resultado de campanhas e palestras de conscientização. O trabalho contínuo da equipe busca aumentar o número de doadores e oferecer esperança aos que aguardam por uma nova chance.
A doação de órgãos é um ato de generosidade que transforma vidas. Informar-se e conversar com a família sobre essa possibilidade pode fazer toda a diferença.



