Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
Antigamente, doenças cardiovasculares eram consideradas um problema quase exclusivo de homens e idosos. Mulheres eram vistas como protegidas e crianças e adolescentes sequer eram considerados em risco. A realidade mudou, expondo esses grupos aos mesmos fatores de risco que afetam os homens, tornando a busca por soluções urgente.
O Aumento do Risco em Jovens
O consumo excessivo de alimentos não saudáveis e a diminuição da atividade física em crianças e adolescentes contribuem para o aumento do risco de doenças cardiovasculares nessa população. Identificar as causas é crucial, mas como podemos efetivamente mudar esses hábitos para melhorar a qualidade de vida e reduzir os riscos?
Estudo do InCor/USP
Um estudo do Instituto do Coração (InCor) da USP, coordenado pelo Prof. Burlo Carameli, avaliou 197 crianças de 6 a 10 anos. Um grupo recebeu orientações sobre fatores de risco (alimentação e atividade física) apenas por meio de material escrito. Outro grupo, além do material, participou de aulas ministradas por uma equipe multidisciplinar durante 10 meses.
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No início e no final do estudo, foram analisados peso, pressão arterial, níveis de colesterol, triglicerídeos e açúcar no sangue das crianças e seus pais. Uma escala de risco consagrada foi utilizada para calcular o risco de infarto em ambos os grupos. Além das crianças, 323 pais participaram do estudo.
Resultados Significativos
Os pesquisadores constataram que, no grupo que recebeu apenas orientação escrita, 9,3% dos pais apresentavam um risco de 10% de sofrer um evento cardiovascular. No grupo com orientação prática e aulas, essa porcentagem caiu para 6,8%. Nos pais do grupo com orientação intensiva, houve redução da pressão arterial, do peso, do colesterol LDL e do risco de eventos cardiovasculares. A redução do risco de doenças cardiovasculares foi de 91% no grupo com educação intensiva, enquanto no grupo com apenas material escrito, a redução foi de apenas 13%.
O estudo demonstra que um programa de educação preventiva direcionado a crianças em idade escolar pode melhorar a saúde tanto das crianças (futuros adultos) quanto de seus pais, reforçando o poder transformador da educação na modificação de hábitos relacionados à saúde.



