Dois projetos esportivos bem-sucedidos na Série D
Muito bom dia! Sejam bem-vindos ao nosso encontro semanal para um bate-papo sobre os temas mais relevantes do futebol. Hoje, vamos mergulhar nas particularidades da Série D do Campeonato Brasileiro, sob a perspectiva de clubes que, neste ano, alcançaram o acesso à Série C.
Princípios Táticos e Adaptação na Série D
Para Eduardo Souza, treinador do Barra de Santa Catarina, equipe campeã da Série D, o equilíbrio é fundamental. A equipe busca ter controle do jogo com a bola, construindo desde a defesa, mas também explorando as costas da linha defensiva adversária, especialmente contra times que pressionam alto. Sem a bola, a agressividade é a chave, priorizando a pressão no terço médio-alto do campo. A equipe também se adapta, baixando a linha em alguns momentos, aproveitando a transição rápida dos jogadores ofensivos. A flexibilidade tática, variando entre formações como 4-4-2, 4-2-3-1 e até 5-3-2, foi crucial para o sucesso.
Marcelo Cabo, treinador do Santa Cruz de Pernambuco, vice-campeão, destaca a importância da adaptação às circunstâncias de cada jogo, considerando as variáveis da Série D, como as condições dos campos. A preparação da equipe é dividida em duas fases: pontos corridos e mata-mata. Inicialmente, o time adota um modelo mais propositivo, com posse de bola seletiva e linha alta. No mata-mata, a adaptação ao adversário é a prioridade, utilizando diferentes plataformas de jogo, como 4-2-3-1 e 5-3-2, sempre buscando a posse de bola e a marcação pressão alta.
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SAF e a Estrutura dos Clubes
Eduardo Souza explica que, apesar do Barra pertencer ao grupo do Hoffenheim, não há diretrizes técnicas impostas ao time profissional. A escolha do treinador é feita com base em princípios e metodologias, mas a comissão técnica tem liberdade para trabalhar de acordo com o que considera importante para o desenvolvimento da equipe. A presença de jovens talentos no elenco é incentivada, mas apenas aqueles que demonstram estar preparados.
Marcelo Cabo, por sua vez, destaca que o processo de transformação do Santa Cruz em SAF contribuiu para o acesso. Sua contratação foi parte de um planejamento de dois anos, visando o acesso à Série C. A gestão compartilhada entre o modelo associativo e a SAF é vista como um passo importante para o futuro do clube.
O Impacto da Torcida e a Montagem do Elenco
Marcelo Cabo ressalta o impacto da torcida do Santa Cruz, um clube de massa, na trajetória da equipe. A presença maciça da torcida, tanto em casa quanto fora, foi um diferencial importante. A montagem do elenco buscou um equilíbrio entre jogadores experientes e jovens, com uma média de idade entre 28 e 29 anos, visando o sucesso nos momentos decisivos.
Eduardo Souza destaca que o Barra possui um monitoramento de mercado específico para a contratação de jovens atletas, além de um processo de transição da base para o profissional. O clube investe fortemente na formação de jovens, com alguns atletas sendo integrados ao time profissional e outros sendo negociados com outros clubes.
Infraestrutura e Objetivos Futuros
Eduardo Souza enfatiza que a estrutura do Barra é um dos pilares do sucesso da equipe. O clube investe em departamentos de saúde, como médico, fisioterápico, fisiologia e parte física, proporcionando aos jogadores as condições necessárias para um bom desempenho.
Para a Série C, o objetivo do Barra é, inicialmente, se manter na divisão, buscando a classificação no Campeonato Catarinense e avançando o máximo possível na Copa do Brasil. O Santa Cruz, por sua vez, entra na Série C com o objetivo de buscar o acesso à Série B.
Agradecemos aos treinadores Eduardo Souza e Marcelo Cabo por compartilharem suas experiências e perspectivas sobre a Série D. Esperamos que este bate-papo tenha proporcionado uma compreensão mais profunda dos desafios e oportunidades dessa divisão do futebol brasileiro.