Ozório Christovam fala das composições de João Nogueira e do legado deixado ao filho; ouça a coluna ‘Sala de Música’
O samba, gênero musical emblemático da cultura brasileira, Dom que está no sangue! Diogo Nogueira segue os caminhos do pai para fazer sucesso no samba, é tema de uma reflexão que une passado e presente por meio da obra de João Nogueira e seu filho, Diogo Nogueira. João Nogueira, reconhecido desde o início de sua carreira pelo swing característico de seu samba, deixou uma marca profunda no cenário musical. Seu falecimento em 2001 não encerrou a influência que exerce, especialmente por meio do trabalho de Diogo, que herdou não só a voz semelhante, mas também a paixão pelo samba.
Legado familiar e musical: João Nogueira foi um importante nome do samba tradicional, conhecido por sua participação ativa em rodas de samba e pela fundação, em 1979, do Clube do Samba. Este espaço promovia encontros que funcionavam como jam sessions, onde músicos apresentavam composições que abordavam o cotidiano, a cultura carioca e a vida dos subúrbios do Rio de Janeiro. O samba, para João, era expressão da vida diária e da cultura popular, consolidando-se como uma manifestação artística de raiz.
Diogo Nogueira, por sua vez, mantém viva essa tradição, mas com uma roupagem atualizada. Com sete álbuns de estúdio e seis ao vivo, ele se destaca pela capacidade de registrar suas apresentações ao vivo, aproveitando os avanços tecnológicos que não estavam disponíveis na época do pai. Essa característica reforça sua presença no cenário contemporâneo e sua conexão direta com o público.
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Temáticas e evolução do samba: Enquanto João Nogueira focava em temas relacionados à vida social e cultural do Rio de Janeiro, Diogo amplia o espectro temático de suas músicas. Ele aborda desde a leveza e a sensação de liberdade, como na canção “Pena Areia”, que retrata um dia de praia, até temas de superação e enfrentamento de desafios, exemplificados em “Coragem”. Essa diversidade temática reflete uma evolução no samba, que se adapta às novas realidades sem perder suas raízes.
Além disso, Diogo Nogueira incorpora elementos que dialogam com o público contemporâneo, utilizando redes sociais para ampliar seu alcance e engajamento. Essa estratégia contribui para que o samba continue relevante e atraente para diferentes gerações.
Contexto histórico do samba: O samba tem origem em ritmos africanos trazidos ao Brasil durante o período colonial, especialmente no século XIX, quando diversas manifestações musicais africanas se difundiram, principalmente em áreas rurais. No Rio de Janeiro, o samba urbano ganhou força com a realização de rodas de samba promovidas por figuras como Tia Ciata, que organizava encontros musicais em sua residência na Praça Onze.
O primeiro registro oficial de samba ocorreu em 1917, com a gravação de “Pelo Telefone”, de Donga e Mauro de Almeida, embora a prática cultural já fosse consolidada muito antes disso. João Nogueira integrou essa tradição, contribuindo para a manutenção e valorização do samba como expressão cultural e musical do Brasil.
Samba: uma música para todos os dias
Ao contrário da ideia de que o samba seria apropriado apenas para domingos e feriados, a música é vista como parte do cotidiano, podendo ser apreciada em qualquer dia da semana. A escolha do que ouvir depende do estado de espírito e da intenção do ouvinte. Canções como “Coragem”, de Diogo Nogueira, estimulam a superação e o enfrentamento dos desafios diários, mostrando que o samba pode ser uma companhia constante, oferecendo alegria, reflexão e motivação.
Informações adicionais
João Nogueira foi um dos fundadores do Clube do Samba, que posteriormente deu origem a um bloco de carnaval, reforçando a ligação do samba com as manifestações populares e festivas do Brasil. Diogo Nogueira, além de cantor e compositor, é uma figura ativa nas redes sociais, o que contribui para a difusão do samba contemporâneo. A trajetória dos dois artistas evidencia a continuidade e a renovação do samba, mantendo sua relevância cultural e musical.