Infecção conhecida como otite média aguda tem, entre outros fatores, sido agravada por conta do uso excessivo de fones de ouvido
O otorrinolaringologista Ivã Savioli explicou que a dor de ouvido em crianças é um sintoma comum, geralmente causado por infecções. As principais causas são infecções respiratórias virais, que podem levar à otite média aguda, e o contato com água, que pode provocar otite externa.
Infecções e causas mais comuns
A otite média aguda ocorre frequentemente após uma virose respiratória, quando a tuba auditiva, que conecta o ouvido médio à garganta, fica obstruída, acumulando secreção e facilitando a infecção. Estima-se que dois terços das crianças até cinco anos tenham pelo menos um episódio de otite média aguda.
A otite externa, por sua vez, é geralmente causada pelo contato com água que remove a cera protetora do ouvido, podendo causar lesões na pele e infecções secundárias. O uso excessivo de fones de ouvido intra-auriculares também pode irritar a pele do canal auditivo, levando a coceira, lesões e infecções.
Leia também
Diagnóstico e tratamento: O diagnóstico é feito por meio do exame físico, incluindo a otoscopia, que permite visualizar o ouvido médio da criança. Em casos iniciais, a infecção pode não ser visível, e o médico pode recomendar reavaliação em 24 horas para confirmar o diagnóstico.
O tratamento da otite média aguda é feito com antibióticos, enquanto a otite externa requer cuidados para evitar lesões e infecções secundárias.
Riscos e prevenção: Complicações graves da otite média aguda, como perda auditiva, meningite, abscesso cerebral e trombose, são raras atualmente, principalmente devido ao uso adequado de antibióticos. A prevenção inclui evitar a automedicação, procurar atendimento médico ao primeiro sinal de dor de ouvido e não coçar o ouvido para evitar lesões.
Para reduzir o risco de otite média aguda, é recomendada a limpeza nasal frequente com soro fisiológico durante viroses, ajudando a desobstruir a tuba auditiva.
Informações adicionais
Quanto ao uso de fones de ouvido, os modelos que não entram no canal auditivo são menos propensos a causar irritação e otite externa, embora possam apresentar outros riscos, como danos auditivos por volume alto.
O especialista corrigiu ainda uma informação anterior sobre a duração da tosse em viroses, esclarecendo que normalmente dura de 5 a 7 dias, raramente ultrapassando 15 dias.