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Duas pessoas de Ribeirão são presas suspeitas de lavar dinheiro de facção criminosa

Dupla teria aberto empresas de fachada para 'esquentar' os valores; operação teve desdobramentos em quatro estados e Portugal
Duas pessoas de Ribeirão são presas
Dupla teria aberto empresas de fachada para 'esquentar' os valores; operação teve desdobramentos em quatro estados e Portugal

Dupla teria aberto empresas de fachada para ‘esquentar’ os valores; operação teve desdobramentos em quatro estados e Portugal

Policiais do Rio Grande do Sul prenderam hoje, em Ribeirão Preto, duas pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha dedicada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. A operação, que teve desdobramentos em 21 cidades, também alcançou localidades em Santa Catarina, Paraná e na região metropolitana de São Paulo.

Desdobramentos da operação

Segundo as autoridades, a ação teve alcance em seis cidades do Rio Grande do Sul, 11 em Santa Catarina, duas no Paraná, além de Ribeirão Preto e Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Um dos investigados já se encontrava preso em Portugal por outros crimes e deverá responder agora a nova acusação.

Ao longo das apurações, que duraram quase 15 meses, a polícia realizou 31 prisões, cumpriu 43 mandados de busca e apreensão — incluindo documentos, computadores e celulares — e bloqueou contas bancárias de 26 pessoas envolvidas no esquema.

Como funcionava o esquema em Ribeirão Preto

Em Ribeirão Preto foram detidos temporariamente um homem e uma mulher cuja participação, segundo a investigação, era majoritariamente financeira. De acordo com o delegado Diogenes Santiago Neto, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de Ribeirão Preto, o casal emprestava contas bancárias para que integrantes do tráfico movimentassem recursos provenientes da venda de drogas, comércio de armas e munições.

As análises bancárias indicaram movimentações atípicas: quase R$ 400 mil passaram na conta do homem em apenas três dias, enquanto quase R$ 200 mil foram movimentados na conta da mulher ao longo de dois meses — valores que, segundo a polícia, somam mais de meio milhão de reais em curto espaço de tempo.

O delegado explicou que a prática configura lavagem de dinheiro, quando se tenta dar aparência de legalidade a recursos obtidos ilicitamente, por meio de empresas de fachada e da utilização de contas de terceiros para inserir o dinheiro no sistema financeiro e reinserir os recursos no mercado legal.

Relação entre facções e comércio de armas

Durante a investigação, os delegados também apuraram a existência de um comércio de drogas — principalmente cocaína e crack — e de armas e munições entre facções do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A polícia aponta que transações financeiras entre esses grupos teriam passado por contas em Ribeirão Preto, reforçando o papel da cidade como um dos pontos utilizados para ocultação de recursos.

A estratégia policial, conforme explicado pelos investigadores, inclui a chamada descapitalização do crime organizado: perseguir e bloquear os fluxos financeiros para dificultar a atuação das organizações criminosas.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos, aprofundar a rede de conexões entre estados e responsabilizar administradores de empresas suspeitas de funcionarem como fachadas para a lavagem dos recursos.

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