Luiz Puntel, fala sobre um caso inusitado de um policial que decidiu escrever um B.O de um jeito um pouquinho diferente; ouça!
Um caso inusitado chamou a atenção em uma delegacia de polícia, E se Olavo Bilac reencarnasse como um escrivão de polícia?, onde um escrivão responsável pelo registro de um boletim de ocorrência adotou uma linguagem poética para descrever um roubo ocorrido na residência de um cidadão. Em vez de utilizar o formato tradicional e objetivo, o profissional optou por um texto repleto de metáforas e imagens literárias, o que gerou repercussão entre os colegas e autoridades do local.
O boletim de ocorrência, documento oficial que registra fatos para fins de investigação policial, normalmente segue um padrão claro e direto, com o objetivo de facilitar a compreensão e o andamento dos procedimentos legais. No entanto, neste caso, o escrivão inovou ao descrever o crime com uma linguagem que lembra a poesia, utilizando termos como “mansidão do silêncio noturno” e “penumbra que abraça os segredos da calada madrugada” para narrar a invasão à propriedade.
Descrição poética do crime: O texto do escrivão continha expressões que remetem a imagens literárias, como “o vilão de nossa trama, qual sombra furtiva”, e comparações metafóricas, por exemplo, ao descrever o ladrão como uma serpente que deixa um rastro indelevel. O boletim seguia um tom dramático, clamando por justiça e encerrando com a esperança de que “a luz da verdade dissipe as trevas que encobrem este capítulo indesejado da existência da vítima”.
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Reação da autoridade policial: A abordagem poética não foi bem recebida pelo delegado responsável pela delegacia. Em resposta ao boletim elaborado pelo escrivão, o delegado redigiu um resumo objetivo e sucinto, com apenas quatro linhas, eliminando as figuras de linguagem e o tom literário. A atitude do delegado evidencia a preferência pelo uso de linguagem clara e direta nos documentos oficiais, para garantir a precisão e a eficiência dos processos policiais.
Implicações e reflexões: O episódio gerou discussões sobre os limites da criatividade e da formalidade nos registros policiais. Embora a linguagem poética possa enriquecer a narrativa, documentos oficiais como boletins de ocorrência demandam objetividade para evitar ambiguidades e facilitar o trabalho das autoridades judiciais e policiais. A situação também levantou questionamentos sobre a liberdade de expressão dos servidores públicos e o impacto que estilos não convencionais podem ter no ambiente institucional.
Possíveis consequências e orientações: Não foram divulgados detalhes sobre eventuais medidas disciplinares contra o escrivão ou mudanças nas orientações para a redação de boletins de ocorrência na delegacia. Contudo, o caso serve como alerta para a importância de seguir protocolos estabelecidos e utilizar linguagem adequada em documentos oficiais, garantindo a clareza e a eficácia das comunicações no âmbito da segurança pública.
Entenda melhor
O boletim de ocorrência é um documento oficial utilizado para registrar fatos que envolvem crimes ou infrações, sendo fundamental para o início das investigações policiais. A linguagem utilizada deve ser clara, objetiva e precisa, evitando interpretações dúbias. Embora a criatividade seja valorizada em diversos contextos, no ambiente policial a formalidade e a padronização são essenciais para assegurar a integridade e a utilidade dos registros.