Ouça a coluna ‘CBN Economia’ com Nelson Rocha Augusto
A economia brasileira apresenta sinais positivos em 2021, com destaque para o crescimento da indústria. Dados do IBGE apontam avanço de 0,9% na produção industrial em dezembro, mas o crescimento mais expressivo ocorreu em comparação com 2019 (pré-pandemia): um aumento de 8,2%. Esse crescimento foi impulsionado por diversos setores, como bens de capital (35,4%), bens intermediários (8,2%), bens de consumo (14%) e duráveis (14,1%).
Indústria em alta e gargalos na produção
O economista Nelson Rocha destaca que a forte retomada da indústria se deve, em parte, à paralisação da atividade econômica em 2020, devido à pandemia. A produção ficou prejudicada, e alguns setores ainda não recuperaram o fluxo normal, resultando em gargalos e escassez de produtos, como automóveis e insumos da construção civil. Apesar dos gargalos, a indústria demonstra força, com poucos casos de férias coletivas e baixos estoques.
Agronegócio e inflação: um cenário contrastante
O agronegócio também contribui positivamente para a economia, com expectativas de uma safra recorde. Setores como grãos, laranja, café e látex mostram crescimento. Entretanto, esse cenário positivo contrasta com a alta inflação, que afeta os preços de alimentos como carne, leite e grãos, além dos combustíveis. A inflação acumulada em 12 meses deve chegar a 6%, levando o Banco Central a aumentar gradualmente a taxa de juros, que atualmente está em 2%.
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Taxas de juros e perspectivas futuras
Apesar da inflação, o Brasil mantém uma taxa de juros real negativa, algo inédito segundo Nelson Rocha. Essa situação, fruto da política do Banco Central, impulsiona a indústria e a agricultura, reduzindo o custo do dinheiro. Embora haja desafios como a lentidão nas reformas, a economia brasileira demonstra resiliência, com crescimento previsto para este ano, impulsionado por setores como agricultura, construção civil e crédito, e favorecido pela baixa taxa de juros. O futuro dependerá da evolução da inflação e do sucesso das políticas econômicas.